terça-feira, 23 de setembro de 2008

Os cowboys

Da mesma forma que existem várias tribos de índios (alunos), existem também vários tipos de cowboys (professores).

Os cowboys dividem-se sobretudo em 4 grandes clãs:

1: Têm 25 a 38 anos, vestem calça de ganga da chayene (e afins, nod afins deve ler-se maioritariamente SALSA) apertadinha em baixo e da pinta, e gostam de ser tratados por Doutores. No caso feminino, normalmente são professores de letras, historia, biologia e/ou matemática, usam bota ALL STAR ou de tacão alto e pasta em pele (carregada com dossiers intermináveis e a pesar chumbo) + malinha para as chaves, os óculos de sol, a carteira, o maço de tabaco, o isqueiro, os lenços…. E tudo e tudo. O caso masculino apenas difere do feminino porque coloca tudo na mesma pasta ou na mala e costumam ir parar a geografia, historia, musica e/ou físico-química.

2: Podem ter qualquer idade mas aparentam quase sempre serem mais novos do que o BI. Andam todos os dias de pijama, mas chamam-lhe fato de treino. São os bem dispostos lá do sítio! Há os que fumam e há os que não suportam que ninguém fume num raio de 5km. Em caso de reuniões ou festas, mascaram-se imitando o Clã nº1 e toda gente pergunta quem são os colegas novos na escola.

3: São professores do 1º ciclo e seres estranhos… a prova disso são as batas brancas. Tratam os outros professores por Senhor/Senhora/Menino/Menina, nunca colega. Têm o super poder de controlar enormes bandos de índios só com a sua presença.

4: De historia ou EVT, passam dos 50’s… estão desiludidos com a escola, com o governo, com os filhos, casamento… com a vida.

Os cowboys, tal como os índios são seres únicos e nunca devem ser estereotipados, por muito grande que seja a tentaçãoE que grande que é até porque a partir dos 28 anos 90% são TMN ;)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Os indios

Gosto de ser professora dos "grandes"... dá-me gozo que estão errados cada vez que pensam que não há nada NOVO que lhes possamos ensinar. Adoro o desafio que é o jogo deles... Sei joga-lo e faço-o com um sorriso no rosto.

Chego cedo e divirto.me com os alunos que chegam mais cedo. Saio tarde e sento.me, se me pedem, com eles na conversa a ouvir as suas estórias e problemas, tantas vezes parecidas com as minhas (do passado, do presente).

Mas... Não gosto de dar aulas ao 1º ciclo, da mesma forma que não gosto de dar aulas de ginásio. Olho sempre para os miudos destas idades como pessoas pequeninas a conquistar, mas que a qualquer momento se podem transformar num bando de indios.

Tive uma professora na universidade que dizia que um dia, quando estivessemos do outro lado, viveriamos a seguinte verdade, "Os alunos estão lá apenas para tornar dificil a tarefa do professor. O que são nesse instante alunos, rapidamente se transforma num bando de indios correndo por e para todo o lado".

Nunca percebi muito isto.. achava (logicamente) que sem alunos não haveria qualquer sentido em aulas. Hoje percebo... dar aulas ao 1º ciclo é para mim trabalho e não gozo... e há nanosegundos em que a ideia de dar aulas sem alunos não me parece tão má como isso.

Bem, amanhã há mais um dia com indios... mas de diferente tribo. Esperar que eles se divirtam o mesmo, e que eu, pelo menos, um bocadinho.

domingo, 21 de setembro de 2008

E depois do Adeus

O portátil crasha, parte do Doutoramento perde-se, o esquentador arde (true!), os amigos estão longe e a Cidade dos Sonhos também... Há aulas para dar, artigos para ler e pior, artigos para tentar escrever e publicar.

Enquanto a mente viaja, o passado acena.
Durante os últimos anos a vida roubou.me o mar que me viu crescer... Agora que o reencontro rouba.me os amigos.

Vai ser um ano longo.
ps: Sim. Voltei a escrever