domingo, 31 de maio de 2009
Just close your eyes & count to five.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Verbo Arrastar

quinta-feira, 28 de maio de 2009
Faltas-me
As quintas eram o nosso dia. Tantas foram as conversas, almoços, cafés e ou jantares. Tantas saídas e tantos lugares.
Sabes, tenho saudades das conversas de horas no carro. Tenho saudades de ir jantar ao cais da Régua só porque foi o primeiro sítio que te veio à cabeça. Tenho saudades do teu abraço, do teu carinho, do teu cheiro, da tua luz, do teu toque.
Faltas-me. E por isso todas as noites de quinta, apenas for 2 ou 3 minutos, baixo a guarda e sinto. Dói. Dói tanto. Dói demais…
O tempo de uma parede de tijolos e argamassa
Há ladrões que não são castigados embora nos roubem aquilo que é mais precioso: o tempo.
Napoleão Bonaparte
A minha orientadora do Doutoramento é (muito bem) casada, tem duas filhas a quem já dei aulas, é lisboeta, adepta do Sporting, signo balança, a paciência em pessoa e leva o politicamente correcto a um extremo por vezes exasperante. Não podíamos ser mais diferentes.
H. foi quem me abriu as portas para trabalhar na universidade antes e depois de concluir a licenciatura mas foi também quem me obrigou a trabalhar cinco vezes mais que os outros para a tese final. H é das pessoas mais exigentes que conheço, com ela, com os outros. H não é arrogante, é trabalhadora e o seu nível de exigência quase impossível de alcançar.
H colocou a fasquia tão alto que pensei adiar e considerei desistir de objectivo fantasiado anos atrás. H fez-me acreditar que mesmo com todo o meu esforço, trabalho e dedicação, dia após dia, tinha de dar muito mais para chegar onde me tinha proposto e acreditava poder chegar.
H deixou-me correr a maratona fazendo-me acreditar que estava permanentemente em 4º lugar e obrigou-me a dar a volta final à pista em sprint em busca de um 3º lugar fantasma. Não dei por mim a ultrapassar nada nem ninguém nessa recta final. Tinha falhado. Foi mais tarde, pela boca de H que ouvi a minha classificação. Primeiro. 20 Valores, parabéns, nunca tive dúvidas. Aproveita o dia de hoje e reunimos amanhã às 9h para trabalhar no laboratório. H nunca teve dúvidas mas fez-me viver delas! Não só não tinha falhado como tinha batido um record. Só eu, Deus e duas grandes amizades sabem quantas facadas dei em H, em sonhos, depois (e antes) daquela frase.
H jamais baixou a fasquia do muro que tinha de construir, mas trouxe-me alguns tijolos e explicou-me por alto e de forma rápida como se faz argamassa.
Ontem escreveu-me a dizer que o nosso mais recente trabalho foi um sucesso em Londres e que foi aceite para outro simpósio internacional, desta vez em terras lusas. Hoje escreveu-me propositadamente para me dar nas orelhas, fê-lo como sempre, da forma mais profissional e politicamente correcta possível. Quer ver empenho e trabalho para breve que não podemos perder mais tempo. A coisa que H mais valoriza é o seu tempo e gasta parte dele comigo há anos.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
a T,i.
A propósito dos afins, T. conseguia ser destrambelhada em todas as matérias... TODAS. Desse eu o que desse e nesse ano ensinei desportos de combate. Enquanto o meu neurónio batia no tapete num desesperante “Alguém que me tire deste filme.” T. passeava-se pela aula nos seus gritozinhos Ai e gritozões YAAAAA enquanto não mexia nenhuma parte do corpo como o pedido. No seu corpo magro, esguio T era nas minhas aulas uma marioneta desconjuntada e de fios quebrados.
T. passou meses a pedir com a sua voz nasalada “Futebol, futebol, queremos futebol”. No dia da primeira de 12 aulas futebol, T. estava farta ao fim de 20 minutos… Eu tinha juntado a uma marioneta desconjuntada 8 rapazes que corriam pelo campo como potros selvagens! Pior que isso, tinha juntado um objecto vivo, com personalidade e redondo: a bola.
A única maneira de convencer T. a mexer-se durante as suas tão aguardadas aulas de futebol foi prolongar as minhas enxaquecas e deixa-la vibrar nos seus gritozinhos Ai e gritozões YAAAAA a cada vez que defendia uma bola! Cada vez que o remate ia fora, o remate era interceptado, a bola saía pela lateral, a bola passava o meio-campo, a bola ia para a bancada, alguém entrava no pavilhão, alguém tinha uma camisola rosa, alguém… enfim! T gritava por tudo. T gritava por nada!
Pior que os gritinhos de T eram as suas perguntas parvas. T foi capaz de algumas perguntas e respostas mais absurdas e hilariantes que ouvi em toda a minha vida… Se perguntasse a T qual o nome de determinada linha do campo era possível e pior, provável que me respondesse linha branca ou linha preta e fazia-o sem o menor sentido de gozo (e esforço). A alguns destes momentos respondi pacientemente, outros ignorei enquanto revirava os olhos ou virava costas. Houveram ainda aqueles dignos de linha branca ou preta ou redonda que desmontaram todo o meu ar sério e mau e me deixaram lágrimas de tantas gargalhadas (minhas e da turma), enquanto pedia a alguém que falasse a sua língua o favor de lhe pedir para descer à terra.
T tinha tudo aquilo que eu não gostava nos alunos, vontade para trabalhar equivalente a ZERO, perguntas absurdas e despropositadas, atenção na lua, nível de desempenho motor médio-fraco e era ainda incapaz de compreender ironia. T. gostava de mim. E eu nunca percebi o porquê.
Na minha última aula coma turma de T. levei um Mars para cada um deles e expliquei a todos o quão e porque eram importantes. Dei a cada um deles a folha que, numa fase em que estavam parvos de todo, os obriguei a escrever uma qualidade sobre o colega que tinha o nome na folha e percorrer todas as folhas menos a sua. Queriam que continuasse na escola, que continuasse professora deles, para sempre! T liderava os manifestos. Enternecida prontamente respondi, para sempre?! Credo, vocês também não são assim tão burros! Bem.. não todos pelo menos. Sorri. Acedi aos últimos pedidos, dei o meu e-mail e deixei-os fazer as perguntas pessoais que tanto desejavam. Quando chegou a vez da pergunta de T. tinha o Tico e o Teco em alerta máximo a tentar antecipar o que viria dali. T. disse o quanto gostava de mim, o quanto eu a tinha ajudado, o quanto queria que eu ficasse na escola e finalmente perguntou qual era o meu numero. T. gostava de mim. E eu nunca percebi o porquê. Sorri e deixei responder a pessoa que estranhamente ela gostava, 39/40 T, é esse o meu número, boas férias a todos e… T, juízo! Sorri. Virei costas e caminhei até à sala dos professores sem falar com ninguém, enquanto os miudos explicavam a T que claramente não ia dar o meu telemovél e o 39/40 era o numero das minhas sapatilhas.
T. não tinha nada do que me apaixona nos alunos, tinha tudo aquilo que me irrita. Eu gostava de T. e não sabia o porquê. T fez aquilo que era suposto ser eu a fazer, conquistou-me. Hoje agradeço-lhe. (pelo tanto que me deu, dá e ensinou.)

terça-feira, 26 de maio de 2009
to a FIREFLY
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
domingo, 24 de maio de 2009
Inteligência (e receio) de gato.
Assim, volto de novo aqui (ao blog).
Perguntar num beijo, pela luz que já não vejo,
pelos olhos a falar do coração
E se me disseres que o olhar
nunca foi o espelho da tua paixão,
Agradeço à lua, por trazer verdade tua,
fecho olhos, vou p’ra lá do teu clarão.
Seguirei no chão, pegadas já marcadas pela dor.
Sofrimento de alguém que provou do teu amor.
Ardo no caminho em saudades de te amar.
Faço dela um novo luar.
Assim, volto de novo aqui
Aos braços de um olhar
que enfrenta um enredo num desprezo par.
Ai, como me dói esse abraçar.
E mesmo assim, eu estou de novo aqui,
pronto a recomeçar.
Pronto p’ra partir e depois voltar,
Se um dia não houver luar...