terça-feira, 30 de junho de 2009

POST IT aqui, porque se o pusesse na testa não conseguia ler.

Toma.
Leva no focinho outra vez,
que de outra forma não aprendes.
Pode ser desta
será que vai ser desta?
Não, não vai.
Mas dá cá o lado esquerdo
o outro lado do focinho.

Pimba.
Egozinho achincalhado
até ao fundo da caixa
dos pés.
Lá é que está bem.

Não aprendeste nada.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

(dez/s)Vantagens de ser Sagitário

Nota: é possível que estes factos aconteçam também na vida de outros signos, que não sagitários,o problema é que aos sagitários acontecem com maior e relativa frequência.


Vesti-me à civil (leia-se deixei o fato de treino em casa) e fui à escola assinar a papelada de fim de ano necessária, antes de passar ao shopping, resultado:

  1. Entro na escola e perguntam-me na portaria se sou professora. Sim, sou. Caminho para a secretaria a pensar 1) se devia ter trazido as calças da Nike que ficaram em casa; 2) se tenho ar de quem vai matricular o filho que não levo comigo (e se levasse não teria certamente idade para aquela escola); 3) se tenho ar de quem vai tentar fazer o 9º ano pela 13ª vez. Sagitário tem tendência para ser encarado como criança grande.
  2. Entro na secretaria e digo ao que vou. “Claro professora, qual é o seu nome? E o grupo?”. Penso outra vez nas calças da Nike que ficaram em casa e que costumam ter o meu grupo (Ed. Física) e nome escarrapachado. Sagitário tem fama de camaleão.
  3. Saio da escola, ligam-me, da escola. Vantagem do telefone tratam-me logo por professora, pelo nome e… reunião de Ed. Física às 10h da manhã da próxima segunda. Merda, coseu-se o meu dia livre. Sagitário gosta do telemóvel porque pode alegremente responder “Sim, obrigado, lá estarei” e ao mesmo tempo fazer cara de enterro sem ter que se poupar na tromba.
  4. Ligo à minha orientadora, tal e tal, tal e tal reunião na próxima segunda às 15h. No dia que queria ir até à praia duas reuniões a… 150km de distância. Sagitário gosta MESMO do telemóvel porque pode alegremente responder “Sim, obrigado, lá estarei” e ao mesmo tempo fazer cara de enterro sem ter que se poupar na tromba.
  5. Orientadora, tal e tal… que estive a fazer a arguência de Mestrado na universidade do Porto a alguém que te conhece muito bem! Quem? Francisco não sei das quantas… tem um projecto assim e assim… hã? Ah! Sim, conheço, estive com ele uma vez fez-me a entrevista para um programa/projecto de actividade física em idosos. Sagitário que se preze é assim, inesquecível, até em entrevistas de emprego para o qual tinha toda a vontade, foi seleccionado e mais tarde recusa por causa do estropício do Doutoramento.
  6. Orientadora, tal e tal parte II, para o ano quero-te a 100% no Doutoramento, aqui, Ok? Caso contrário tenho outras prioridades. Sorrio e em pânico desvio a conversa dizendo que sim e que falamos pessoalmente. Cheira-me que se lhe dissesse já que tenho um pé em Angola já nem a reunião de 2ª existia. Sagitário é assim, gosta de resolver as coisas pessoalmente, olhos nos olhos… sobretudo quando se trata de possíveis finais de relação.
  7. Shopping para comprar o item X. “Não temos, mas temos o y, z, h, k”. Quero o X!!! Sagitário quando quer um X quer um X, não quer o resto do alfabeto por partes ou por inteiro. Raios!
  8. Passar à Fnac e pela milésima vez tentar encontrar o Molesquine de linhas em capa dura preta. Nada. Ou levo em soft cover ou vermelho. Sagitário quando quer um X quer um X, e cria embirração contra as alternativas. No processo de embirração deixo cair um moleskine no chão. Vou apanha-lo e… levo com 6 ou 7 na cabeça porque o resto daquela prateleira decidiu ser solidário… lindo! Mais bonito só mesmo o facto de ter sido com vista privilegiada para a escada rolante e ter feito as delícias de quem vinha a subir. Sagitário estará sempre no centro de algum acidente público e PARVO.
  9. Desespero, gastar dinheiro para desanuviar. Quatro pisos, cinquenta mil lojas e Zero coisas decentes. Sagitário fica sempre frustrado quando a sua vontade é contrariada, mesmo que ela signifique poupança na conta.
  10. Frustrada e com vários galos na cabeça passo à Sephora a apanhar o perfume que acabou ontem. Promoções, boa! A promoção apanha a Armani, Boa, Boa! O meu não está em promoção, merda! Está mais caro 5€, foda-se! Sagitário tem dias assim, de sorte.

domingo, 28 de junho de 2009

Disaster button

Sem razão, tentei discutir com meio mundo. Nem isso me correu.


ps: E ainda bem.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

À tua sombra ausente.

Hoje foi um dia importante para mim. Busquei-te em todos os cantos. Olhei em volta, vez após vez, até ser vencida pela náusea.

Não estás.

Hoje desfazia-me num abraço teu.


quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pequenos n.a.d.a.s

quinta-feira, 12 de Março de 09

Esplanada à beira mar plantada


Meu amor,

escrevo-te porque percebi que a ultima vez que o fiz não foi para dizer coisas boas. E tu não mereces senão palavras boas.

Escrevo-te porque tenho saudades de escrever e tu tens saudades que te escrevam. Escrevo para te desejar um Bom dia. Mas não um bom dia qualquer. Não. É mais, meu amor. É mais. Escrevo-te para te desejar um dia perfeito. Sim, p.e.r.f.e.i.t.o Um dia daqueles dias onde o segundo se transforma e tudo se processa dentro de uma câmara lenta. Onde as emoções perdem o filtro e ganham o tamanho dos sítios. Onde se ri, sorri e grita o amor das coisas. A parte humana de todos. A parte humana do tempo.

Escrevo-te por um pequeno nada. Porque o sol me aquece o rosto nesta manhã de praia. E coisas simples com o sol a bater na cara e o carinho dos amigos passam a valer muito. Assim foi. São Leonardo. Ultimo moicano. Cornetos. Tarde de domingo em família em esplanada a falar de nada. Assim é. Assim são, pequenos nadas. Coisas simples que com o sol a bater na cara e o carinho dos amigos passam a valer muito. E que servem para lembrar à alma e ao corpo que vale a pena.


…- Como um gato, deixo-me ficar imóvel e confortável, enquanto cada célula acorda para receber este pequeno conforto. Deixo-me ficar mais um minuto. Sentada em frente ao mar reaprendendo a respirar o mundo e o silêncio.- …


Escrevo para dizer que o mundo, esse que vês daí amor, está hoje, inteirinho à tua espera. Impaciente para lhe ensines a sorrir assim como só tu sabes, a brilhar como só tu consegues. Hoje podia ter saudades tuas, sentir a tua falta aqui ou ficar com pena de não poder compartilhar esta vista, este sol, este mar… mas não. Hoje percebi que já trago a meu lado, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo no meu coração uma pequenina parte de ti.

E por isso escrevi tudo isto para dizer no fundo o que já sabes: que gosto de ti. Não é de agora. Eu gosto de ti desde sempre. Porque já não me lembro de não gostar de ti.


Ps: Porque a previsibilidade é de facto coisa (boa) de gente amiga e a amizade é coisa de gente… rara. Escrevo-te porque a imprevisibilidade também.

Com todo o carinho

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sabemos como vai ser o dia...

Quando acordamos com a cabeça em água, o corpo num oito e a sensação de termos sido atropelados por um camião TIR, várias e inúmeras vezes.


Ps da tarde: Apetecia-me dizer.te "GO TO HELL... and crawl back". Mas vou é ficar caladinha que este dia não está para estas coisas.

Ps do dia seguinte: E o dia dura... e dura... e dura.

Ps da Frustração: Este post não contém palavrões unica e exclusivamente porque não encontro nenhum ou misturas que traduzam estes dias. Venha o resto da semana, mas rapidinho se faz favor, para não doer muito. Era tudo, obrigada.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

(Já) Não mereces mais que um parágrafo.

Queria dizer-te da importância de certos gestos, estórias, palavras, mimos teus. São passado, antigo. Queria dizer-te da extrema necessidade da tua cor. Trazes-me ausência, cinza. Queria dizer-te que me és absolutamente indispensável. Não és, não mais. Queria dizer-te que tenho saudades tuas. Hoje não, apenas raiva.

sábado, 20 de junho de 2009

Um Cão, um Gato and a swimming pool

A minha profissão e sobretudo a especialização (Desporto Aventura , Natureza e Lazer), obriga-me, de quando em vez, a passar dias inteiros (daqueles de madruga até ao fim-de-tarde-por-do-sol-ou-pior-noite-fora-e-estou-tão-rota-que-se-me-encosto-durmo-três-dias) em actividades divertido-riscó-fixó-doidas.


Hoje, estive a trabalhar 11 horas. E para aguentar esta dose, nada melhor que trabalhar com amigos a sério. Daqueles que trabalham, ouvem a critica, ignoram o teu humor ou tom de voz e resolvem (de forma irrepreensivel) a situação. Gente que não só entra nas tuas brincadeiras idiotas como são os primeiros a aprontar.


Perdi a conta às vezes que fui parar hoje, à agua, vestida e de chinelos. E não faço qualquer ideia quantas vezes atirei ou planeei atirar os mesmos seres à piscina. Sei, que os sorrisos foram enormes, foram imensos. Há pessoas que são cor, que são sorrisos.


Amigos assim, valem ouro. Amigos assim, onde muita gente não vale nada, valem tudo.


quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ser estranho

Sunflowers (1888), Van Gogh

Embora o meu quadro favorito seja de Munch, é de Van Gogh que sou fã. Um pintor pós-impressionista com as aspirações modernistas cujas pinceladas me cativam pelo expressionismo, fauvismo e abstraccionismo. Dizem de Van Gogh que era estranho (provavelmente à conta das suas crises de epilepsia) e que as suas pinturas também.

Hoje classifiquei alguém como um ser estranho e arrependi-me no segundo seguinte. Esqueço-me muitas vezes que as minhas palavras, muitas vezes, não são as dos outros. A maioria das pessoas atribui uma conotação pejorativa a “ser estranho”. Eu não. E esqueci-me disso. Estranho para mim é alguém que ainda não conheço. Estranho é alguém diferente. Estranho é algo que, com ou sem propósito, foge da normalidade. Estranho é o contrário de vulgar.

E como por cobardia de mal entendido, retirei com a frase mágica "estava a brincar", o que tinha dito, já não fui a tempo de explicar que... Estranho hoje, queria dizer (a alguém) que é, especial. Tal como as pinturas do Van Gogh, que nem sorriem ou abraçam e ainda assim valem milhões.

Lima, Tequila, Sal e Doutoramento

Tirando raras, obrigatórias, para-lá-de-divertidas e pontuadíssimas excepções não bebo (álcool leia-se), mas hoje dava jeito. Com semanas de atraso. Dias de mentalização. E horas a olhar para a folha de e-mail em branco… escrevi e enviei, finalmente, mail à minha Orientadora.

Agora é só esperar pelos berros visíveis, até num português erudito, profissional e irmão do politicamente correcto, que se seguem às cinco linhas que escrevi. Waiting.

terça-feira, 16 de junho de 2009

o Quase e As 7 bolas de Cristal

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luis Fernando Verissimo


Este Blog não está de luto, mas quase. A autora foi mesmo vista hoje em várias floristas e hortos. Ninguém sabe o que procurava mas dizem que não encontrou. As más linguas contam ainda que num ultimo esforço saiu da cidade e em desespero vagueou pelos montes, procurando. . .

Post Scritum: Desde que li o teu post que tenho fugido dali. Fujo porque não sei o que te dizer. De cada vez que fujo, volto. A correr. Vou ver se voltaste, se sorriste... se alguém te deu o tanto que mereces, não hoje, mas sempre.

Hoje gostava de vestir a armadura, pegar na espada e sair pelo mundo, em busca desse monstro que te atormenta. Tenho a certeza que somos vários os mosqueteiros com raiva desse ser, e que jamais cessaríamos a nossa demanda até, por fim, existir uma espada sobre a cabeça e um punhal no coração desse reles e vil ser.
Seriamos vários, gritando “um por todos, e todos por um” mas não podemos ser. Não podemos ser porque as nossas espadas nada podem contra esse ser. Esse ser é baixo, reles, fraco e desprezível demais para a lâmina de qualquer espada. Esse ser não chega sequer aos calcanhares do bicho-papão, ou de qualquer outro monstro verde que assuste criancinhas. Não, esse ser, que te atormenta é o mais fraco, reles, cobarde e ao mesmo tempo vil de todos. É um monstro de fumaça… que não morre mas se espalha com uma espada. Foge da chuva, corre do vento, esconde-se do sol… finge ter chama, mas nada existe a não ser fumo… Fumo tóxico que invade o espaço, preenche todas as fendas, esgota o oxigénio e torna impossível alguma coisa crescer, alguma coisa ali viver ou sobreviver.
Quando assim é, é preciso sair... procurar um espaço aberto, respirar fundo e, se quiseres, voltar, a olhar o sol e sentir a chuva.

Porque esse ser jamais morrerá, porque o fumo não tem cabeça para ser cortado, não tem coração para ser arrancado.

domingo, 14 de junho de 2009

Um gato, um cão e outros seres humanos.

...quando perguntam o que podem fazer para impedir que vás morar para outro país e tu seca e prontamente respondes, Nada. Quando te pedem egoistamente para ficares e nem sorris. Porque sabes que ao contrário do que manda a lógica, o que querias ouvir era o que posso fazer para ir contigo. E aí sorririas com os lábios, os olhos, o coração e o Tico. Porque o Teco, esse prontamente diria: Tu estás sempre comigo, carraça só larga quando morre.

...quando és palerma e tens consciência disso.

sábado, 13 de junho de 2009

No, Mr Obama (today), I can’t

Hoje é-me impossível escrever. Se o fizesse teria de falar de um olhar que ainda não conheço. Teria de falar de um ser que amo e que ainda não nasceu, nem sabemos se já existe.

Teria de explicar o meu sorriso rasgado à ideia de ser Madrinha do ser mais lindo do mundo e como virou sorriso triste ao perceber que se estiver em Angola perderei grande parte do que me é suposto. Como madrinha, sobretudo como amiga. Hoje se escrevesse teria de falar sobre isso porque não consigo pensar em mais nada. E porque ainda não conheço palavras que consigam dizer isto, tudo isto ou parte disto, hoje não escrevo. Porque a escrever jamais lhe poderia chamar "isto".


Mas...


se soubesse escrever sobre este turbilhão de emoções, terminaria dizendo que mesmo sem a certeza de existires, te amo. Para que um dia, saibas que não foi à primeira vista, foi à primeira hipótese, ainda que remota, (de existires) que te comecei a amar.


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Lisbon Story

No Ipod a melodia suave de Sigur Rós acompanha, a compasso, o inicio de marcha do Intercidades. Ainda em Lisboa, divido a atenção entre a janela e as ultimas páginas livres do Moleskine, enquanto deixo escorrer a tinta azul da eterna Parker, para o caderninho preto.


No horizonte (rendo-me) surgem as palmeiras do Siza sob um sol dourado delicioso e com uma luz perfeita. Sorrio. Perfeita, é exactamente a palavra para esta luz… para esta tarde. Não é exuberante, transcendente, sublime, brutal, outro sinónimo ou todos juntos. Não. Perfeita, porque a perfeição é simples, livre, sem expectativas, sem julgamentos, sem sombras.


Que lugar fantástico este que se pinta a dourado na minha janela. Cada lugar que guardamos na memória, tem uma cor, um cheiro e uma luz que os distingue dos outros, que os torna únicos. Há dias divagava com uma amiga sobre como há sítios assim e pessoas que acabam por se transformar em lugares favoritos.


Hoje encontrei alguém que me lembra um lugar que julgava único. Hoje encontrei alguém que me lembra Praga. Praga é única porque não tem uma cor, tem várias e é belíssima mesmo em tons de cinza-chuva. Praga não tem um cheiro, tem todos, cheira a cidade, a passado, a Europa, a leste, a presente, a sol, a infância, a lugar secreto, a abrigo, a palco, a futuro. Praga não tem um sabor, tem os melhores sabores de todo o mundo… daqueles que guardamos na memória, sentidos e saudade durante anos.


Praga fica em nós. Não se entranha porque, embora existam aqueles que a consideram desarrumada, inacabada ou produto em bruto, Praga é dos sítios mais delicados que conheço. Praga fica em nós sim, mas por osmose, num processo tão imperceptível quanto natural.


Mas Praga não é fácil e jamais será possível conhece-la por inteiro. Praga é por isso um desafio, exige que o passaporte apresente diversos carimbos para que a possamos viver, conhecer e desfrutar. Obriga-nos a fazer uma janelinha com os polegares e indicadores e analisar calmamente bocadinho a bocadinho, como se de um puzzle se tratasse. E Praga é precisamente isso, um puzzle feito de bocadinhos perfeitos e lindíssimos e outros estranhos e confusos. Unidas, as peças formam sentido num todo magnífico que tem ainda a magia de apresentar diferentes faces em diferentes ângulos a diferentes luzes ou mãos.


Praga não tem os marcos de Paris, a arquitectura de Barcelona, a bipolaridade de Budapeste, a cultura de Viena, a organização de Copenhaga, os sonhos de Londres e da sua Neverland onde seremos para sempre crianças ou o 24/7 Non Stop de Nova York. Praga não tem nada disto porque Praga não tem rótulo. Praga não tem nada disto porque Praga tem tudo isto, dependendo apenas da hora, da luz, do ângulo, da janelinha que naquele momento analisamos. Praga é dona de um brilho impar que nos aquece o corpo, faz cócegas na alma e deixa sorriso no rosto.


PS & Head fake: o título não engana, aos mais distraídos avisa-se que este texto não é sobre Praga, e sim Lisboa. Lisboa na língua da cidade dos snow globes, pintada com uma luz imensa e brilho contagiante. Lisboa ao som, cor e espírito (islandês) de Hoppipolla (em português Salta-Pocinhas).




PS2: O sorriso da linha 6 mantém-se, porque hoje fui a Lisboa e estive novamente em Praga, e que saudades que eu tinha. Até sempre.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

The Best of... me!

Got a mind full of questions and a teacher in my soul.

Reconheço-me desde sempre neste verso apresentado pela voz do senhor Eddie Vedder em Guaranteed. E hoje, só porque sou professora, só porque sou eu e tenho saudades de uma sala de professores que não se pareça com trincheiras repletas de malta mal-disposta e deprimida... aqui fica.

ps: On bended knee is no way to be free...


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Cão vs Gato

Ontem enquanto lia o blog da Jade sobre pormenores, sobre as gotas que enchem o copo e o fazem transbordar... deixei sair um sorriso triste.

É impressionante como os sagitários aparentemente nunca reagem ao que deviam reagir e da forma bruta que o deviam fazer. Quando maltratados, sagitários ficam de tal forma surpreendidos e magoados que paralisam. Transformam-se, deixam de ser um signo gato e adoptam um signo cão. Permanecem, perplexos, atónitos e coniventes enquanto o dono lhes bate ou castiga por algo que fizeram errado, só porque não sabiam melhor. Ignoram a negligência do outro e assumem e sentem a culpa de tudo. Em formato cão, um sagitário pode ser levado a acreditar que é a razão de todas as coisas erradas do mundo…

Mas chega sempre o dia em que o sagitário percebe o absurdo em que, por tão bem-querer, se enfiou. É aqui que entram os pormenores que falava a Jade ontem, conjuntamente com os eternos rótulos de excessividade, desequilíbrio e até ressabismo. E reage, finalmente.

E eu ontem reagi. Decidi seguir em frente e adoptar uma postura de mudança em relação a ti, e a ti também. Doze horas. Demoraste doze míseras horas a reagir, a fazer muito mais que o conjunto dos últimos meses. Parabéns a ti. Porque em vez de um sorriso me trazes remorsos e novelo de confusões de novo. Hoje vou sair de novo à rua com o olhar de um cachorro abandonado, que fez asneira e merece o castigo. Não mereço.

domingo, 7 de junho de 2009

Menos que ontem é quanto gosto. Mais que ontem é quanto doí.

Ontem abriste a minha ferida e hoje jogaste terra dentro. Menos. Muito menos que ontem. É quanto gosto de ti. Porque não sei se me matas na tua vida ou te suicidas na minha mas sei, que pela primeira vez te quero fora dela. Fora de mim.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Provérbio tibetano

As minhas quintas-feiras são, há muito, pródigas em almoços/jantares nos sítios ou cidades mais inesperadas. São também pródigas em conversas de horas pela tarde, noite ou madrugada fora. Onde com a boa disposição surgem lições e verdades de outros que se colam à nossa alma, à nossa vida. Ontem foi mais um desses jantares, foi mais uma dessas madrugadas.

Quando fico chateada, irritada, magoada, triste e/ou outros estados afins com alguém que me diz, verdadeiramente algo… calo-me. Todos que conhecem sabem que um sagitário em silêncio é uma bomba relógio de mau humor, de raiva, de dor. Ontem a determinado ponto da conversa calei-me… Dizia uma amiga, a propósito dos touros, que existem pessoas que só reagem a palavras más. Que recebem as boas e calam. Não reagem. Dizia ela que reagem se picados, e, se mal-tratados desfazem-se em palavras e gestos de atenção, cuidado e afecto. Nunca percebi o quanto mais me bates mais gosto de ti. Em verdade, recuso-me a aceitar tal coisa. E por isso continuei a ouvi-la, em silêncio. Falou das minhas palavras, dos meus gestos, dos meus sentimentos bons… e deixou-me perceber que o melhor de mim há muito que não tem resposta adequada ou resposta sequer. Que todas as reacções dignas ou gestos de alguma relevância dos últimos meses, tinham na equação o meu pé. Apenas quando batia o pé e dizia não, mais não. Há coisas que não merecemos de determinadas pessoas. Mais, há coisas que não merecemos de ninguém.

Ouvi em silêncio e quis chorar. Senti formar-se o cocktail de mau-humor, de raiva, dor e desamor. Não chorei. Agradeci, despedi-me e entrei no carro com a certeza que ela tinha razão. E, embora suplique em silêncio como o Miguel Esteves Cardoso, para que me devolvas a minha vida e o meu tempo, para que digas qualquer coisa a este coração palerma que não sabe nada de nada, que julga que andas aqui perto e chama sem parar por ti, tenho a certeza que irei sempre preferir reagir às palavras boas e tentar seguir em frente nas más.

Hoje neste dia de merda que não partilhei contigo odeio-te. E porque por 24 horas te odeio, hoje é um dia de merda. Hoje, venha uma reacção tua a este provérbio tibetano que tenho para ti: vai 'pó caralho. 

Elephant in the room

Passei o dia (supostamente) livre (sim, livre, que ninguém me paga para não me mexer, infelizmente, diga-se) no meio de papelada e com o computador na frente a tratar da avaliação dos miúdos. Foram horas. Não fiquei nem a meio. O Doutoramento esse, teve o nobre gesto de se manter quieto no fundo da pilha de papéis, nem se atreveu a por a língua de fora. Que atencioso que ele anda, deve estar a preparar alguma… Só parei para ir à reunião no colégio marcada para a hora de jantar. A vontade e as expectativas tão eram tão reduzidas que apesar de não saber o que fui lá fazer afinal, saí com a sensação de que correu bem.  

Jantar inesperado no Italiano… e desafio de um convite para café. Sagitário que se preze nunca foge a desafios e tem como nome do meio "vamos". Bem, fomos.

Dois Touros e um Sagitário. Ambiente agradável, espirituoso e erudito-ó-parvo, até que alguém se lembra de assinalar a presença de um elefante. O elefante chegou comigo. Mas... vais mesmo para África? Porquê? Tens noção? Porquê? 


São quase 4h da manhã e tive uma das conversas da minha vida esta noite. Sei-o. Só não sei responder às perguntas sobre o elefante. A nenhuma delas.


quinta-feira, 4 de junho de 2009

É mais do que eu te sei dizer

Dóis-me todos os dias.

Te quero, te adoro
Vem perto de mim
Você me abraça no meio da rua
E me faz tão bem
Te quero, te amo
Preciso dizer
Que o ar que eu respiro, que o melhor da vida
Vem só de você.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Amigo é Casa

Amigo é feito casa que se faz aos poucos 
e com paciência pra durar pra sempre 
Mas é preciso ter muito tijolo e terra 
preparar reboco, construir tramelas 
Usar a sapiência de um João-de-barro 
que constrói com arte a sua residência 
há que o alicerce seja muito resistente 
que às chuvas e aos ventos possa então a proteger 
E há que fincar muito jequitibá 
e vigas de jatobá 
e adubar o jardim e plantar muita flor toiceiras de resedás 
não falte um caramanchão pros tempos idos lembrar 
que os cabelos brancos vão surgindo 
Que nem mato na roceira 
que mal dá pra capinar 
e há que ver os pés de manacá 
cheínhos de sabiás 
sabendo que os rouxinóis vão trazer arrebóis 
choro de imaginar! 
pra festa da cumieira não faltem os violões! 
muito milho ardendo na fogueira 
e quentão farto em gengibre 
aquecendo os corações 
A casa é amizade construída aos poucos 
e que a gente quer com beira e tribeira 
Com gelosia feita de matéria rara 
e altas platibandas, com portão bem largo 
que é pra se entrar sorrindo 
nas horas incertas 
sem fazer alarde, sem causar transtorno 
Amigo que é amigo quando quer estar presente 
faz-se quase transparente sem deixar-se perceber 
Amigo é pra ficar, se chegar, se achegar, 
se abraçar, se beijar, se louvar, bendizer 
Amigo a gente acolhe, recolhe e agasalha 
e oferece lugar pra dormir e comer 
Amigo que é amigo não puxa tapete 
oferece pra gente o melhor que tem e o que nem tem 
quando não tem, finge que tem, 
faz o que pode e o seu coração reparte que nem pão.



ps: Não faço qualquer ideia como te dizer que és refém de um orgulho idiota. Provavelmente só o compreenderás quando souberes que vou morar para África. Quando souberes por outra boca que não minha. 

terça-feira, 2 de junho de 2009

a fairytale em plenos pulmões



Com um brilhozinho nos olhos

Conheço alguém cuja casa nunca visitei ou convidei para a minha. Alguém com quem nunca jantei fora, tomei café ou saí noite dentro. Alguém com quem ainda não me sentei a apanhar sol ou respirar tempo numa esplanada. Alguém que jamais assistiu ao complicado processo de me ver comer um qualquer gelado sem fazer asneiras e que nunca vi a entornar chávenas de café ou a fazer voar oregãos.
Conheço alguém que nunca abracei, que nunca me abraçou. Alguém que nunca me viu chorar e a quem nunca sequei as lágrimas. Alguém que apesar de merecer, nunca teve o meu colo, cafuné ou me ouviu segredar ao ouvido “vai correr bem. Tu ainda não sabes mas tudo vai terminar bem”. 
Conheço alguém que nunca vi. Conheço alguém que me diz que não me conhece, que não conheço. Sei que o seu olhar brilha, que tem vários sorrisos, todos sinceros e contagiantes. Sei os seus livros, poemas, filmes, bandas, séries, músicas e dias favoritos. Sei os seus amigos. E sinto os sorrisos que dedica a cada um. Todos diferentes, todos especiais. Sei quando faz troça, quando é sincera, quando é bluffer ou quando é apenas uma menina de olhos grandes à espera que reparem nela e no quanto tem para oferecer. Reconheço qualidades e acho piada aos defeitos. É alguém que tem a capacidade de me irritar, tirar do sério e fazer rir às lágrimas no minuto seguinte.Alguém que, como eu, fala com as mãos, com o sorriso, os olhos, o coração e por vezes com o tico e o teco.  Alguém que ama, que sofre, que sente. Cai e se levanta.  
Conheço alguém que nunca vi mas que gostava de partilhar uma esplanada, numa tarde com sol, sem horas e sem objectos que possam sair a voar mesa e espaço fora. Alguém com quem um dia espero partilhar uma sala dos professores, mesmo que isso implique o batismo de um qualquer ninckname. Alguém que me diz que não me conhece, que não conheço, mas que gosta de Vinicius. E vinicius sabe que Amigos não se fazem, reconhecem-se. 

Conheço tão bem esses olhos
e nunca me enganam,
o que é que aconteceu, diz lá
é que hoje fiz um amigo
e coisa mais preciosa 
no mundo não há.
Sérgio Godinho