quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Uma semana daquelas...

A deliciosa sensação de ver o meu tema, o meu artigo, publicado na melhor revista do mundo da especialidade. Tem a data de Agosto de 2009, mais recente impossível.

A sensação de merda do meu artigo ainda não ter saído do RESUMO que foi aceite em Londres num congresso mundial, porque a minha orientadora achava a revisão parca, a amostra pequena e o tema pouco consistente. Ora, o tema pelos vistos é tão pertinente que foi publicado na melhor revista da especialidade... a minha revisão leva 2 páginas e apresenta uma amostra superior em 1/3 que a da senhora Emma.

A sensação parva, da próxima vez que a minha orientadora me der sermão sobre o "quão difícil é publicar" e que eu não tenho noção das coisas, vou continuar a fazer a mesma cara de parva. Que é isso que me sinto agora.

A frustração como mãe das sensações, a senhora EMMA trabalha aqui: The Cardiovascular Research Laboratory, Department of Exercise Sciences, University of Toronto, Toronto, Ontario, Canada. E é financiada por variadíssimas instuições além da sua universidade. Eu, pelo menos às quartas-feiras dou aulas a bestas ambulantes.

ps: amanhã termina o prazo para eu enviar (novamente) o documento de revisão à minha orientadora, para este artigo. Até era gaja de traduzir o artigo da senhora Emma que fui expressamente à universidade do porto buscar, e enviar como texto meu, mas aposto que ia levar sermão com, "Só???". I'm copping, deve ser a sensação que faltava.

ps2: no meio de tudo isto, e mais o resto que não escrevi e é melhor nem escrever, estou surpreendidissima por ainda não ter apanhado a puta da gripe.

ps3: e agora, pelo sim pelo não, vou ali medir a temperatura....

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Momento: What the fuck???

1 - Tenho para mim que a pessoa que faz as traduções do jornal "i" é a mesma que escreve os rodapés dos jornais da tvi.

2 - A propósito, ou não, hoje é o Dia do Solteiro. Será que a malta divorciada e viúva também conta? Anyway... confesso que prefiro os jantares de "gajas" e de "encalhados" a "dia do solteiro".... mas enfim, viva ao "i".

3 - Já agora, alguém me explica por que é que nos concursos de cultura geral, a malta de educação fisica é a primeira a vir para a rua? SERIOUSLY?!

domingo, 27 de setembro de 2009

Luto

Estive para vir aqui às 20h, escrever todos os palavrões que conhecia. Mas pela educação, integridade e moral, não. Fica só a tristeza. Amanhã vou vestir o meu melhor sorriso quando estiver a dar aulas, fora disso, estou de luto... na alma e no "pijama".

sábado, 26 de setembro de 2009

Ser Dragão

Caros amigos e amigas Sportinguistas, a diferença entre os dois não é grande, é enorme. Cara Teia, também a diferença entre contar com o "ovo no rabinho da galinha" e contar com o meu PORTO, é enorme :-)















sexta-feira, 25 de setembro de 2009

House vs Grey

Começou esta semana a sexta temporada de House e de Anatomia de Grey. Ganha o House, cinco a zero. Sim, cinco, Seriously. Mas palpita-me que muito está por vir... no que à Grey diz respeito. É esperar para ver.


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

I'm walking on sunshine , wooah

Almocei em casa. Estacionei em frente à escola e fiz os 2km a pé até à praia. Sentei-me na esplanada com vista para o, hoje tão azul, atlântico e ali me deixei ficar para uma agua e café. Um dia lindo.

Na mesa ao meu lado uma gaja falava ao telemóvel queixando-se dos alunos que lhe tinham calhado este ano. "São tão infantis". Queixava-se dos 7ºs e dos 10ºs... Eu que estava ao telemóvel a fazer precisamente o mesmo, sorri. Pensei, devias ter os meus de ontem. "O professora pode-me apertar os atacadores?!?".

Não se se foi do sol, da praia, do café, do percurso a pé.... Se por serem os meus miúdos do ano passado, mas adorei as aulas de hoje. Chateei-me, é claro. Fiz cara de má com certeza. Mas terminei a aula orgulhosa deles e de mim, como cresceram!

Que belo dia de praia.

Lua Nova

"Tu não ias deixar-me - sussurrou. - Percebi isso. E eu não queria fazê-lo, morreria; contudo sabia que, se não te convencesse de que já não te amava, levarias muito mais tempo a reconstruir a tua vida. Esperava que, se pensasses que seguira em frente, tu fizesses o mesmo. Mas nunca imaginei que fosse tão fácil. Pensei que seria quase impossível; ou seja, que tu estarias tão segura da verdade que teria de passar horas a mentir para, apenas, semear a dúvida no teu espírito. Menti e lamento. Lamento porque te magoei, lamento porque foi um esforço inútil. Lamento não ter conseguido proteger-te daquilo que sou. Menti para te salvar e não resultou. Lamento. Como pudeste acreditar em mim daquela forma? Depois de dizer-te milhares de vezes que te amava, como deixaste que uma palavra te fizesse perder a confiança em mim? Vi nos teus olhos que acreditaste mesmo que já não te queria. A ideia mais absurda, mais ridícula... Como se houvesse maneira de existir sem precisar de ti! Onde estavas com a cabeça? (...)
Como posso dizer isto de maneira a que acredites em mim? Não estás a dormir nem estás morta. Estou aqui e amo-te. Sempre te amei e sempre te amarei. Pensei em ti, via o teu rosto na minha cabeça, em cada instante que passava longe de ti. Quando disse que não te queria, cometi a maior das injustiças. Não acreditas em mim pois não? Porque acreditas na mentira e não na verdade? (...)
Ontem, quando te tocava, estavas tão... hesitante, tão cautelosa; todavia continuavas a mesma. Preciso de saber porquê. É por ser tarde de mais? Por te ter magoado tanto? Por teres seguido em frente, como queria que fizesses? Seria... bastante justo. Não contestarei a tua decisão. Não tentes poupar-me, por favor... Diz-me se ainda consegues amar-me, depois de tudo o que fiz. Consegues? - Sussurrou."

Stephenie Meyer
in, Lua Nova

E assim foram 1000 paginas em menos de duas semanas. Gostei mais do "Crepúsculo" que do "Lua Nova", mas a verdade é que estas 511 foram devoradas apenas nos últimos 3 dias. E mais não digo, que quando as minhas ex-alunas me falavam da saga "Luz e Escuridão" jamais imaginei que também eu fosse virar leitora de Stephenie Meyer, quanto mais a transcrever a pagina 465 do livro. E tudo porque me obrigaram a ouvir isto.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um VERDE feio.

Estou verde. De raiva…
Não estou lixada, estou fodida. É impressionante a falta de lata, de moral e de ética da maioria das pessoas no meio académico. Odeio gente de memória curta, mais do que odeio gente sem memória.

Estou verde. De inveja…
No mesmo dia que descobri que alguém com muito melhor currículo académico que eu não conseguiu a bolsa na primeira fase e vai concorrer contra mim, fiquei a saber que aquele tipo com um currículo muito pior que o meu já a tem.

Estou verde. De indisposição…
Este meio tira de mim o que de pior tenho. Torna-me pior pessoa. Deixa-me a cru., mas ao contrário dos outros, com moral e memoria, e isso é tudo menos vantagem. Sinto-me nauseada comigo mesma.

Pior, é por isso mesmo que eu gostava de ficar com o lugar. Ir ali dar 1 semestre de aulas para provar a quem me educou e formou que tinham razão... e para provar a mim mesma que não pertenço àquela corja.

O que comprei eu afinal por 1500€ na FNAC

Belo dia de sol, neste primeiro de Outono. Acordei extremamente bem-disposta. Abri sorriso, vesti umas calças amarelo canário de fazer parar transito, sapatilha, camisola e casaco pretos e lá fui eu dar aulas.

O amarelo das minhas calças até pode parar trânsito, mas não evitou o desastre de aula do último tempo. Noventa minutos de má educação, indisciplina, desmotivação… Uma turma de índios. Daqueles que trepam cadeiras, mesas, paredes, tudo. Daqueles que falam, falam, falam, falam, e só se calam para ganhar fôlego. Daqueles que não gostam de educação física não tanto pelo físico mas pela educação. Daqueles em que a informação não entra por uma orelha e sai pela outra, simplesmente não entra. Daqueles em que os engraçadinhos se atropelam para fazer e dizer asneirada.

Tinha começado o dia de sorriso aberto. Bem-disposta. Acabei essa aula a mandar dois berros com um timbre de que nem tenho recordação de o ter utilizado algum dia. Fuzilei-os a todos e a cada um com o olhar. E terminei dizendo que se há coisa que detesto é ser chata, é ser má. Mas como sou excelente em tudo o que faço também consigo ser excelente a ser megera. Just try me, once more.

Escusado será dizer que correu lindamente o resto da aula e que a próxima será mais do mesmo. Para quem tinha curiosidade de saber o que comprei eu afinal por 1500€ na FNAC, foram 2tl de paciência a granel. Ali entre a secção da educação, saúde e espiritualidade.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Primeiro dia de aulas deste 2009/2010 e o ponto alto qual é?

A aula que me estava marcada no horário para as 16h00 começar às 15h45? não. Ter 22 caras e nomes novos para decorar? não. Ter dois pares de gémeas? não. Ter passado 90 minutos a chamar Hugo ao R., porque dei aulas ao irmão o ano passado? não. O miúdo saber que o irmão foi o meu melhor aluno de sempre e por isso não tirava os olhos do chão das poucas vezes que me corrigiu? não. Ter uma miúda que apareceu de saia para fazer aula e que passou grande parte dela a chorar? não. Ter de explicar três vezes porque não estou a dar aulas em Angola? não.

O ponto alto é mesmo andar de Garrafa Spray de Ajax na mão, cheia de alcool em gel, e ordenar, MÃOS! e Pufff... MÃOS! e Puff... Vinte e duas vezes! Claro que fiz puff a mim, mas não vi necessidade de gritar Mãos a mim própria.

Note-se que o puff era o sprayzinho do gel. Note-se também que já não é fácil andar todos os dias de fato de treino sem ter ar de quem anda de pijama... mas com uma garrafa de ajax em spray como acessório! Porra, não há estilo que resista... nem germes,

sábado, 19 de setembro de 2009

Coisas que acontecem

Vai uma gaja à FNAC tentar comprar pela 3ª vez uma agenda de professor na versão Educação Física... e sai de lá sem a agenda... e 1500€.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Te olho nos olhos...

de, Ana Carolina

"Te olho nos olhos e você reclama
Que te olho muito profundamente.
Desculpa,
Tudo que vivi foi profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando...
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?
Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade...
De me inventar de novo.
Desculpa...se te olho profundamente,
Rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.
A ponto de ver a estrada...
Muito antes dos seus passos.
Eu não vou separar as minhas vitórias
Dos meus fracassos!
Eu não vou renunciar a mim;
Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente."

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Check Mate H1N1

Aulas a serio só segunda, no entretanto mais uma reunião. Daquelas boas onde perdemos horas da nossa vida e no final nem percebemos porque não bastava apenas ler uma circular. Da Gripe A alguém falou? Não.

É suposto eu gastar 10 minutos no inicio e 5 no final para os meninos desinfectarem as mãos… e no resto da aula? Como eles não podem partilhar material, arranjo uma bola para cada um, e já agora uma baliza… e não há guarda-redes. É isso? Estou a ser mazinha. Há sempre os desportos individuais não é? Pronto, Ginástica, 30 colchões individuais e não há “ajudas” está visto.

Vai ser bonito. É que se for suposto os miúdos andarem até Março a correr 70 minutos à volta da pista sem se tocarem, quero ver quem os convence por mim. Ou então dou ténis e cada um traz a própria raquete de casa.

Estou a ser mazinha outra vez? Pois estou. Sempre me disseram que o Xadrez era desporto, eu é que não acreditei. E agora vou dormir que reuniões de manhã destroem-me, e amanhã, outra.

Curiosidade: 10 professores de educação física em reunião = 9 pares de sapatilhas nike e 1 adidas.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Podia ser pior

Veste-se uma gaja de educação física à civil e é isto.

- É a nova professora de Inglês?
- …
- Ah Professora, nem a estava a conhecer!!! Vem para a reunião é?
- ... é.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fazer castelos no ar e ir lá para dentro morar

Dar aulas. Voltar a praticar artes marciais. Não trabalhar à noite. Poder sair das aulas e ir fazer jogging para a praia a 500 metros. Não trabalhar ao fim de semana. Ter mais uma citação publicada numa revista ciêntifica. Voltar a ter gozo e vontade na carreira académica. Fazer novos amigos. Encontrar o carinho de ex alunos. Sair. E poder voltar a pensar em viajar.

Este post não permite comentários porque é feito de sorrisos. Coisas boas. Ser feliz. E, independentemente dos gostos, isso não se comenta... ou se sorri a ler ou não.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Regresso às aulas: contagem decrescente

Quem diria que enquanto espero pela bolsa de Doutoramento… vou dar aulas na mesma escola e ainda levo, de brinde, melhor horário e duas das turmas do ano passado (as duas piores claro, que a sorte não está para mãos largas). Mas o que interessa mesmo a este post, é o início de uma contagem decrescente. Contagem decrescente para o quê? Ora, tendo em conta que em cada entrada do pavilhão existem, na parede, depósitos de desinfectante de mãos, quero ver quanto tempo demoram os putos a:

a) Fazer daquilo gel capilar.

- Ó proxora, ó pra eu todo faxón!
- Sim, ó pra tu tudo faxón! Pareces um ET. Dos maus...

b) Fazer daquilo gel capilar do COLEGA, sem permissão claro.

- O professora o xyxyxyxI, pôs-me gel no cabelo!!!
- Hmmm, pois foi. Deixa lá, estava a ser amigo, devia achar que tinhas piolhos. Não tens pois não?

c) Enfiarem a boca debaixo e comerem.

- Ó ‘stora sabe a chiclett!
- Deve saber, deve. Mas olha, depois diz-me também, a que sabe o tubo de lavagem gástrica que te vão enfiar garganta abaixo... ou rabinho acima.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

9|11

No 25 de Abril não estava em lado nenhum. Nem sequer em projecção, que o óvulo e o espermatozoide nem o mesmo continente partilhavam na altura. Mas no 11 de Setembro:

Estava na praia.
E, do nada, apareceu um daqueles típicos-maluquinhos-de-praia... a dizer que o mundo ia acabar. A verdade é que ele sabia mais que eu que [quando vi as imagens pela primeira vez, pelo canto do olho, sem som e na tv do café onde fui lanchar] achei que fosse um novo filme do Bruce Willis. E não liguei nem para olhar segunda vez.

Sempre me agradou esta ideia. Se o mundo tiver que acabar, que esteja eu de novo numa praia meia-vazia, num bom dia de sol e de mar, com a melhor companhia do mundo. Onde cada segundo parece eterno.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Lamechice

A Jade escreveu há dias, em resposta a um comentário no blog dela, uma observação que considero lindíssima. E que desde o primeiro segundo achei que só si dava um post.

… Tenho saudades. Tenho mesmo. Não é lamechice. Estou numa onda boa, depois de uma má maré. E embora demos mais valor aos amigos quando eles se mantém connosco quando estamos na mó de baixo, quando estamos bem, como eu agora, temos tendência para lhes sentir mais a falta…

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Nódoas negras

Embora tenha dado há dois anos Desportos de Combate na escola e durante a universidade tenha participado em alguns estágios e torneios... a verdade é que a ultima vez que vesti um Kimono para treinar nem idade para ter a carta de condução tinha. Vai ser bonito vai.

Algumas coisas que me devia ter lembrado antes me inscrever e confirmar que aparecia hoje para treinar artes marciais.


1 - O kimono depois de anos guardado precisa ser lavado [e secar].
2 - É preciso ter 30 minutos [de paciência ZEN] para engomar decentemente.
3 - Estas coisas levam tempo. [E complicam o dia de quem só se lembra disso às 11h da manhã.]
4 - Há verniz branco ou transparente cá em casa? Há? Há? Claro que não. [e mesmo que houvesse com num dia destes certamente seria só para metade das unhas ou arranjava forma de partir o frasco a meio do processo. Sim, mesmo sendo inquebrável, que a minha sorte nestes dias não se subestima].
5 - Posso usar verniz de outras cores? Posso. [E ser morta por achincalhanço assim que pisar o tapete também.]
6 - Pés-rosa-clarinho-brilhantes não vão mal de todo.... [Sim, eu sei... mas também não vou destruir o resto das unhas com os kimonos e saco].
7 - Onde RAIO está o cinto? [no fundo do armário numa caixa de sapatos! Exatamente onde ia procurar... os 20 minutos perdidos foram por desporto...]
8 - Ainda sei apertar o cinto? [30 minutos em frente ao espelho provam que não está mal de todo mas juntamente com o verniz rosa é possível de achincalhamento].
9 - Estão 30 graus e eu vou-me enfiar num fato preto de tecido grosso? [A palavra (do praticante de artes marciais) é honra. Portanto dê por onde der tenho de lá por os pés hoje].
10 - Top preto está na gaveta... mas onde raio enfiei eu boxers pretos? [podia ir sem boxers, podia... mas já vi demasiada malta a ficar despida em combate. E a meio do ano ainda vá... mas no meu primeiro treino depois de anos, não obrigada].
11 - Vou levar coça de miúdos que me davam pela cintura quando saí? Provavelmente.
12 - Vou levar coça de miúdos que têm idade e probabilidade de serem meus alunos? Bem possível.
13- Vou levar coça de pessoas que têm idade para serem meus pais? De certeza


Vai ser bonito vai, Oh se vai. E não estivesse este dia cheio de boas notícias e disposição [ironia daquelas grandes]. Agora vou só ali cortar e limar [não os pulsos, mas] 10 pares de unhas até ao último milímetro, que me esqueci disso também.

domingo, 6 de setembro de 2009

Qualidades. What makes you wanna dance?!

Honestidade, rectidão, humildade. Capacidade de trabalho, sofrimento e encaixe. Pontualidade, simpatia, apurado sentido de humor. Inteligência, perspicácia e aptidão inata para cozinha. Herdei, nas costelas do lado esquerdo, muitas das qualidades dos genes transmontanos, mas uma das melhores ficou, infelizmente, de fora.


É certo que nasci e cresci à beira-mar, mas seria de esperar que sendo eu apaixonada por todo e qualquer desporto, por ter uma capacidade e aptidão física bem acima da média, por ser professora de Educação física, por ser sagitário ou simplesmente por ser transmontana teria uma bela, harmoniosa e natural relação com a dança. Não tenho.


O gene da dança nos transmontanos é o mesmo que nos brasileiros ou africanos. Pode estar mais ou menos desenvolvido, mas 90% gozam dele. Os outros 10%, que se esqueceram do gene na barriga da mãe, são patinhos feios. Eu não tenho a certeza de estar nos últimos dez mas... à forte possibilidade de não constar dos primeiros noventa aliam-se todos os anos de prática de artes marciais que tornam incrivelmente difícil quebrar esta postura austera, estóica, hirta e correcto-direitinha-mete-nojo-à-gaja-de-educação-física-de-nariz-empinado.


Há no entanto coisas que me fazem perder a postura (e a vergonha vá). Musicas que ensinam e convencem o pé a bater sozinho, soltam a anca, o sorriso e ordenam ao corpo que siga de forma natural e inconsciente aquele ritmo. Danço lindamente ao som de Bob Sinclair, Gwen Stefani, Madcon, Fergie (com ou sem Black Eyed Peas), Usher, 50 cent e afins… Mas são poucas as músicas que, por vontade própria, me fazem levantar do sofá e arrastam para a pista. Contudo... Lambada, Let’s Twist Again, La Bamba, fazem ainda mais que isso, fazem com que eu arraste alguém comigo lá para o meio.


Os ex (os a sério e os outros) eram todos excelentes dançarinos, e se me deixa uma mágoa ainda maior não ter a costela da dança, também permite que hoje, seja capaz de dançar um tango de Gotan Project de forma aceitável e que tenha as melhores e mais divertidas memorias a dançar ao som de Pretty Woman e Great Balls Of Fire.


Nos ex está alguém que parava a pista para ser observado sempre que decidia dar espectáculo. Alguém que trouxe para a minha realidade a cena do Scent of a Woman. Onde, por minha vontade (e agora que escrevo alguma inveja) ele fez de Al Pacino, outra mulher de par, e eu de “rapazinho apaixonado sentado na cadeira a maravilhar a cena”. Esse ex, esse alguém, foi precisamente aquele com quem nunca dancei, o que mais amei, e o único com que sonhei dançar por todo oo resto da minha vida. Mas porque a questão é sobre o que me faz dançar, aqui fica o que me fez escrever este post. Paper Planes.



ps: Is it a bird? Noooooo! Is it a plane? Noooooooo! Is it the twister?
YEAAAAAAAHH!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Like you've already figured out

Faço parte de uma das raças para quem o novo ano não começa em Janeiro mas sim Setembro. Há quem diga que é preciso encerrar ou enterrar o anterior, para se iniciar um novo ano, uma nova vida . Há quem diga que isso se faz com inventário e balanço do passado, com a criação de uma lista de promessas para o novo ano.
Promessas não gosto nem tenho. Balanço a ter, era este.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Carta de Recomendação

Qual é a coisa qual é ela… Que pesa 1tl nos ombros, 4gr no papel e tem uma bola de borracha na garganta?


Anexei-a e lacrei. Hoje era o ultimo dia do prazo da candidatura à bolsa de Investigadora. Não é a primeira carta de recomendação que me escrevem… nem mesmo a de mais alta patente académica. Mas confesso que é a que mais queria ter. Única e exclusivamente para saber o que pensa aquele médico, sportinguista crónico, que quase podia ser meu avô, de mim.


Foi a pessoa mais exigente que conheci na minha vida. Era exigente com o programa, com os alunos, sobretudo com o seu tempo. Não tinha paciência para ignorância e não suportava burrice. Tinha um sentido de humor cáustico e falava sem embaraços de tudo. Tudo mesmo. Era, é… uma lenda pela sua inflexibilidade, rispidez, sobranceria. Era, é… uma lenda pelo elevado numero de chumbos. Era, é… uma lenda por se estar pouco lixando por ser ou deixar de ser uma lenda por estes ou outros motivos.


É por tudo isto que ainda hoje é a pessoa mais inteligente e exigente que conheço, sobretudo com o seu tempo. Nunca gastou uma molécula de ATP ou um segundo que fosse a pensar o que os alunos pensam dele, se são muitos ou poucos os chumbos, se um 9.445 não podia ser positiva, se os alunos são altos, baixos, gordos, magros, gajos ou gajas. Na verdade dentro do auditório ele sempre se esteve marimbando para tudo. Para tudo menos para vontade, inteligência, conhecimento e rigor.


Fui aluna dele durante dois anos completos. Odiei-o durante boa parte do primeiro. Era no meu primeiro ano de universidade uma miúda que achava que ele representava tudo aquilo que eu jamais queria ser enquanto pessoa, enquanto professora. Hoje sonho em chegar aos calcanhares da pessoa que ele é. E de luz acesa em frente ao espelho, encontro em mim alguns dos seus melhores e piores traços enquanto professor.


Das parcas qualidades que ele reconhecia aos alunos, vontade, inteligência, conhecimento e rigor, reconheço, manifesta só tinha primeira. E foi assim que nos defrontamos. Lembro-me de ficar de mão aberta e braço no ar mais de 20 minutos. Lembro-me também que quando, anos depois, me sentei na cadeira de professor no auditório percebi que aquele era o posto de DEUS. Posto de deus pela sensação de omnipresença. Daquele palco tinha-se a visão de tudo. Tive a certeza que um braço no ar, ainda que no meio daquela arcada de cem lugares, seria impossível não ver, seria impossível ignorar.


Hoje, essa pessoa que um dia… me obrigou a esperar vinte minutos de braço no ar, até admitir que a persistência/vontade eram meritórias de interromper o seu monólogo com uma pergunta. Que anos mais tarde parava a aula e dizia: Já vi essa sobrancelha a levantar, diga lá menina Shadow, o que não está a perceber? Que depois de eu ter sido das poucas a ter positiva ao cadeirão daquele semestre, diz que eu merecia dois pares de estalos e revelava ter ficado profundamente desiludido com a minha nota. Que quando tirei a melhor nota dos últimos anos à sua última cadeira não expressou qualquer sinal ou gesto felicitação. Que no meu último ano, antes de eu entrar para a defesa da tese me encontra no corredor e diz que tem pena de não assistir, ri-se e vira costas dizendo “vinte.” Que quando preocupada lhe contava que me tinham convidado para ficar na Universidade me acusou, sorrindo, de falsa modéstia. Que com tantos insultos e sorrisos me brindou ao longo de todo o meu percurso académico.


Essa pessoa, a tal inflexível, ríspida, altiva, escreveu-me uma carta de recomendação da forma mais familiar que alguma vez li. E se me surpreendeu a forma como enumerou as três qualidades que em verdade reconheço como as que melhor descrevem a pessoa que sempre fui e às quais dou mais valor. Deixou-me uma bola na garganta ao terminar dizendo que me antevê uma carreira académica brilhante e que nada enquanto meu ex-professor lhe daria maior satisfação.


Qual é a coisa qual é ela… Que pesa 1tl nos ombros, 4gr no papel e tem uma bola de borracha na garganta? Quem respondeu carta de recomendação do ex-professor dos cadeirões do curso acertou.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Reentré

Tenho de submeter o projecto até as 17h00 de hoje? Tenho. Trabalhei no Doutoramento? Não. Fiz alguma coisa pelo meu futuro? Não. Fiz alguma coisa pela minha vida? Não. Fiz alguma coisa pelo meu corpo? [por vontade não] Fui obrigada ["roubaram-me" os carros e tive de gastar 4km de sapatilha até aos CTT]. Fiz alguma coisa pelo meu sorriso? Fiz.

Vi o vídeo do post anterior. Inspirei, inspirei-me e... Fui jantar fora a dois. Acabei a noite com amigos, na praia, entre uma feira de livros nocturna e os Mojitos da esplanada do bar. E é exactamente por isto que eu prefiro Setembro.