domingo, 31 de janeiro de 2010

INVICTUS by William Ernest Henley

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud,
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find me, unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

William Ernest Henley


O poema é de Ernest Henley, também eu o descobri recentemente no ultimo e belíssimo filme do Clint Eastwood. Também eu fiquei fã, do poema, do filme. Também eu reafirmei a minha admiração por um Mandela surpreendente, criador da rainbow nation. Mas pelo dia em que me chegou.... pela hora em que me foi apresentado, pela mensagem de luta e persistência... embora nada se compare e tudo que o tente fazer seja puro embaraço, a verdade é que, se nada até lá mudar... será esta a primeira página da tese de Doutoramento.



Do fundo da noite que me envolve
Escura como o inferno de ponta a ponta
Agradeço a qualquer Deus que seja
Pela minha alma inconquistável

Nas garras dos destino
Eu não vacilei nem chorei
Sob as pancadas do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas ereta

Além deste lugar tenebroso
Só se percebe o horror das trevas
E ainda assim, o tempo,
Encontra, e há de encontrar-me, destemido

Não importa quão estreito o portão
Nem quão pesado os ensinamentos
Eu sou o mestre do meu destino
Eu sou o comandante da minha alma

William Ernest Henley

sábado, 30 de janeiro de 2010

Se o S. Pedro fosse juri de Doutoramento...



Já não me lembro qual era a sensação após fazer um exame na faculdade ou ver a nota na pauta de um qualquer cadeirão. Não tenho memoria sentida nem mesmo, da reunião de horas em que ficávamos a saber a nota de estágio... que tanto peso tinha sobre os nossos 5 anos de curso. Deitava tudo a ganhar, tudo a perder.

Mas de vez em quando, ainda me lembro do dia em que imprimi e entreguei a tese. O sentimento de dever cumprido. Uma profunda calma, quase apática. O alivio de tirar das nossas mãos e costas o peso do futuro. Entregando-o em papel ao juízo dos outros, à sorte do destino.

A verdade é que este, como qualquer ou até mais que outro sentimento, é efemero. Desconfio que parte desta sensação, que reparte realização e preenchimento, se deve a toda a privação de sono e stresse a que sujeitamos o corpo e respectivo encéfalo.

Ontem, quando submetia a meia dúzia de horas do prazo, os trabalhos candidatos ao congresso mundial, fui obrigada a escrever uma curta biografia. É incrível como a minha vida reduzida a meia duzia de linhas parece brilhante e preenchida.

É incrível como se disser que acordei às 9h, vesti uns long shorts e sweat e fui correr 8km até à praia do sitio da foto a minha vida passa, para quem lê, além de académica e profissionalmente preenchida e brilhante a saudável, zen e feliz.

E hoje, graças à sensação de high de ter concluído e entregue mais dois dos trabalhos de Doutoramento, não contrariava quem assim pensa... não fosse o facto de aos 4km, no exacto inicio para alongamentos e retorno, o S Pedro ter ordenado chuva, às nuvens que esconderam o sol quente e brilhante com que acordei.

Assim a 4km do carro e de abrigo, de calções, sem gorro, sem casaco e sem querer saber do Doutoramento ou artigos publicados para nada: S Pedro 1 - 0 Shadow. Que a minha vida sempre foi mais tranquila no papel.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Conversas de Raparigas

Seja no telemóvel de phones a caminhar pela praia, no carro depois de sair tarde da escola, ou em casa no portátil ou no radio... às sextas, às 19h é isto: Antena 3 - Conversas de Raparigas, com Rita Ferro, Ana Coelho, Teresa Caeiro e Mónica Mendes, com muito bem falar, ironia, cultura e humor.

Conversas de gajas, às sextas, das 19h às 20h

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

5 letter mood

Um dos meus trabalhos para o mais importante congresso mundial da área, este ano, sofreu hoje um revés de todo o tamanho. O prazo de entrega é amanhã e uma alteração de merda ao tratamento estatístico mandou metade do trabalho por terra.

A minha orientadora deixou-me no voicemail 8 minutos de discurso e no e-mail várias linhas enumerando tudo o que me falta fazer até amanhã de manhã.... Porque o erro e a falta de visão foram dela, fiquei com uma raiva enorme ao ouvir a mensagem depois das aulas e pior quando vi o e-mail ao chegar a casa.

Terminou o texto com uma palavrinha que só vi agora, décima vez que leio, "Força". A raiva foi-se. Vou voltar ao trabalho, ao ponto 10 de 23. Vendendo-me assim fácil. A uma palavrinha de 5 letras.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

and Shadow WINS!!! 1,42m

- Oh faxabore, são: 3 cafés, 1 meia de leite e 1compal de pêssego, paga a professora Shadow.

- Wtf?!?! até pago. Mas explica-me lá o porquê?!

- Ah, eu bem te vi a dar aulas a saltar para um colchão fofo por cima de uma vara e a competir contra criancinhas!!!

- Olhe faça então a conta e junte também uma pastilha para a azia. Há aqui alguém que gostava de dar aulas de educação física mas não soube estudar para isso ;-)

ShadowS mobile One and Two



agora imaginem o primeiro e o segundo a tocar em reuniões na escola e de doutoramento respectivamente. Cheira-me que não demoro muito a voltar, e nos dois telemóveis, a Bach.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Life's a circus

As saudades de ter um dia livre são enormes. As de trabalhar de manhã cedo e sair a tempo de almoço e café em companhia, ainda maiores. Mas a segurança trás responsabilidades. A independência também. E a liberdade é retalhada por tudo aquilo que temos de fazer para as anteriores.

Ainda assim, fiz questão de acabar o dia na praia, a tempo do crepúsculo, como prova a imagem e novo wallpaper do meu telemóvel. Mas é impressionante o que é preciso ceder ou a capacidade de jogo de cintura que é necessária para mantermos todos os pratos a rodar e acabarmos o dia aqui... Hoje acabei de facto à beira-mar, mas com o cérebro aos gritos a implorar descanso, depois das aulas e 7 horas de sono em 50 possíveis.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sunny, yet vampire day

Finalmente e desde há meses, está um dia perfeito para dar aula de educação física no exterior. E porque é que não vou dar aula lá fora?

Porque desde que parti os meus óculos de sol, nunca mais encontrei nem me ofereceram uns decentes... Ainda assim era menina de ir dar aula lá para fora com toda a vontade, não estivesse de directa à conta de ter tentado repor o trabalho e tempo em atraso, madrugada fora e manhã dentro, nos artigos.

Mas afinal o que é que o meu doutoramento tem a ver com o não poder dar aulas no exterior? apesar do meu olhar de cor negra, tenho hoje, com o sol, a mesma relação que os vampiros - os de Anne Rice, não os outros que andam aí na tv e cinema comem solzinho deste ao pequeno almoço.


Não me levem a mal

Adoro gatos. Adoro. Não se vê logo pelo nome deste blog? Bem, dizia eu: Adoro gatos mas são duas da manhã e se tivesse caçadeira estaria a pedir alguém para a ir esconder. Porque não tenho nenhuma mas tenho uma vontade enorme de ir comprar e depois ir soltar chumbo lá fora no filhos da's puta's e da minha gata que estão com o cio e não se CALAMMMMMMMMM.

Há alguém que tenha gatas lindas perseguidas por gatos vizinhos anormais e com o cio e não lhes queira dar um tiro? ou enfiar dentro de um balde de agua com gelo? ou no mínimo com uma bota velha no focinho?

E pronto... este seria o primeiro sinal que o valentin's day está a chegar, não fosse a escola estar já toda decorada de corações e coraçãozinhos. (com tanta antecedência deve ser para a malta ter tempo para arranjar um par a tempo)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Opinião

Anda a blogosfera docente em peso a emitir opiniões sobre a, ou uma, nova organização da matriz curricular. Sobrescrevo muito do que tem sido dito e escrito sobre o tema, especialmente no que à redução dos 90 minutos diz respeito.

Percebo que os colegas de matemática e português em algumas aulas por semana, queiram funcionar com a turma por metade a trabalhar de forma alternada. Percebo que os de ciências fisico-quimicas e naturais também. Acho mesmo que são boas ideias.

Agora o que não percebo é como é que neste país de obesidade infantil, jovem e sénior (apoio-me em estatísticas bem gordas para dizer isto) se acha bem que a educação física se resuma a duas aulas de 60 minutos (já a assumir a redução dos 90)? Neste país onde a informação e formação nutricional é aproximadamente: Zero e nestas idades onde o nosso corpo é parte fundamental da auto-estima e bem-estar, não se pense que a disciplina possa e deva cumprir a função e evoluir para "Desporto, condição física e Saúde".

Não quero mudar o nome à disciplina, que isso pelas faculdades tem originado guerras e debates demais. Quero é que as pessoas, incluindo colegas, percebam que a parte da educação no nome da disciplina serve ou devia servir precisamente para isso, para acompanhar e educar os miúdos. Até a nível higiénico - porque não acredito que me digam que é apenas nas escolas pro onde tenho passado que se nota o processo de fermentação da transpiração e falta de cuidados dos miúdos - antes, durante e depois das aulas.

Quero que percebam que as recomendações mundiais há muito que deixaram os 3 dias (que na escola portuguesa se traduziu sempre e apenas em dois) e que corresponde actualmente a 5/7 DIAS. Quero que percebam que esta educação em Portugal, se faz apenas nos BONS ginásios e aos adultos, a vocês, a nível físico e nutricional. Que o ideal seria fazer-se na escola, já que não se faz de todo, em casa. E, mesmo considerando que esta disciplina envolve uma logística diferente, não me oponho a que reduzam as aulas de 90' se passarem as de 45' também para 60'.

Oponho-me sim é que se continue a viver com a cabeça enfiada na areia... não se crie valorize a dimensão desportiva da educação a par da artística, cientifica, cultural e social. Não se perceba que a disciplina, por todas as boas razões, deveria traduzir-se em 3/4x's 60'/semana.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Desabafo

Estou a modos que, a primeira pessoa a convidar ou a sugerir uma viagem para qualquer parte do mundo vai ouvir-me gritar, SIM! E depois vai ver-me sair a correr em busca das malas e gavetas de roupa.

Não quero saber com quem e nem muito bem para onde... mas tenho mesmo de viajar algures nos próximos meses. A necessidade de um sagitário conhecer novos lugares não é a mesma de oxigénio, não se traduz em Sim ou Não de sobrevivência. Mas é algo que se possível, lhe é indispensável para uma vida plena, tal como uma flor precisa de sol. Resumindo: Não morre, mas murcha.

Aqueles sites de viajantes, após a selecção de países e locais onde já estive, dizem que já, quando deviam dizer que apenas, conheço 6% dos países do mundo. Ainda assim, os portões da escola e as paredes deste escritório comprimem-me há UM ANO... e se nenhum de vocês que por aqui passa se oferecer para companhia e sugerir destino primeiro, vou sair a distribuir sms's a partir de 29 de Janeiro pela lista do telemóvel. De A de amigos até Z de zés-o-ultimo-a-quem-pergunto-antes-de-ir-sozinha-nem-que-seja-uns-dias-apenas-para-aqui.

ps: como o "aqui" não fazia justiça, um post scriptum com a vista da varanda de um dos quartos:



Por este andar nunca mais acabo nem começo esta merda.

Estão a ver a história do 90% transpiração e 10% inspiração? O meu Doutoramento tem outra parcela: vegetação!

Tenho passado horas, horas, horas seguidas em frente ao ecrã, a vegetar. Esperando as palavras que não surgem, a vontade que não vem e a obrigação que ainda não é de pistola à cabeça mas que marca data limite para ontem.

O tempo do meu Doutoramento é feito de 70% vegetação, 10% inspiração e 20% trabalho, o que faz de mim alguém absolutamente idiota. Idiota ao quadrado, já que tenho essa noção.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ser mete-nojo

Estão a ver aquela gentinha que abana o rebuçado em frente ao nariz da criancinha, "queres, queres? querias!"?

Agora troquem lá o rebuçado pelos raios de sol e a gentinha pelo S. Pedro.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Generosidade

Enquanto aluna, fui construindo e desconstruindo conceitos do que é ser bom professor. Enquanto professora fui rejeitando muitos desses conceitos e encontrando novos.

Mas até hoje, há um conceito que permanece. Uma característica que identifica quase automaticamente um bom professor: Generosidade. no tempo. na paciência. na voz. no conhecimento. na atenção. (até na marcação de trabalhos de casa).

Ser generoso, com os outros, connosco, é das lições mais difíceis e importantes na vida.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Impossible is Nothing

Tudo é possível nas aulas, pelo menos nas minhas.

O ano passado, em plena aula – exterior – um cão, do tamanho da minha sapatilha (nº 39/40) vindo sabe-se lá de onde, mordeu um dos meus alunos. Foi a lesão mais grave que já tive durante uma aula.
Cão-com-raiva-morde-aluno-na-perna 1 – 0 Lesões-por-corrida-de-barreiras-ou-mortais

Sexta, esse aluno que continua a ser meu este ano, pediu-me em casamento, em frente à turma e funcionários. Apesar dos seus olhos azul-céu e cabelo loiro-amarelo-sol, a resposta foi, espantem-se, não. Perguntou-se se a resposta seria diferente se ele fosse mais velho. Respondi-lhe que a resposta seria diferente se lhe saísse (a ele, não aos pais) o euromilhões.

Hoje… uma miúda fez xixi pernas abaixo. Nem a dar aulas a bebes, na piscina me tinha acontecido tal coisa, quanto mais na escola.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

In love

Diz que é um sentimento que se tem prazer em gritar ao e pelo mundo. E eu estou completamente apaixonada... pela nova máquina de lavar. Mais, tento em conta que já tive outras e que adoro lavar loiça (não englobo tachos e panelas) com as mãozinhas... acho até que se trata de algo mais :)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O lado negro

Hoje quando atravessava o corredor para devolver o livro de ponto, assisti à maior gritaria e peixeirada que algum dia presenciei numa escola. Na sala, de porta fechada, a colega aos berros... segundos depois o miúdo a tentar responder-lhe. Na impossibilidade física de usar o mesmo tom, tentou explicar-se uns furos mais abaixo. Mal disse a primeira silaba, foi expulso da sala e... é ela quem bate com a porta.

Ouvi tudo isto ainda no corredor ao lado. Quando cheguei junto dele, encontrei-o sentado, encostado à parede, de olhar irado e em lágrimas, fixo na porta - que alguém, que além de ser professora deve ser educadora ou no mínimo adulta responsável, lhe fechou na cara.

É um miúdo conhecido na escola por ser muito complicado. Acumula retenções e problemas familiares. A mãe, acredita piamente que os problemas dele se devem a inteligência acima da média. Os professores e funcionários, ainda não perceberam se os problemas dele são só na escola - por preguiça e falta de capacidade - ou se vive algo grave em casa.

Eu que já lhe dou aulas desde o ano passado, tenho a certeza que 40% dos cabelos brancos que me têm nascido, se deve às as aulas da turma dele. Tendo em conta que estou em Doutoramento e que além da escola tenho vida, 40% é um numero assustador que explica bem o problema de lidar com ele.

Porque fui professora dele o ano passado, fiz um esforço matemático e pessoal, no final do 1º período, para lhe dar a positiva - que por critérios não merecia, que por principio próprio jamais pensei dar. Na primeira aula deste período provou-me que foi um erro. E ao fim de 10 minutos, arrependi-me.

Arrependi-me, mas guardei a lição para mim, ciente que a estratégia de estimulo positivo me tinha saído bem furada. Hoje, depois de assistir à berrante estratégia oposta... sentei-me com ele num banco, tentando perceber o que tinha originado toda aquela cena.

Não faço ideia como se ajuda este miúdo - ao que parece o psicólogo que o acompanha há dois anos também não. Mas mais preocupante que isso... é como se ajuda a professora que fala com os alunos para lá de berros. Que bate com a porta com toda a força que tem. E tenho medo de saber o que mais...


domingo, 10 de janeiro de 2010

Confissão...

tenho uma inveja enorme, daquelas pessoas que sabem escolher bem os amigos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lamentável

Assisti em directo, noite dentro, madrugada fora, as várias declarações e conferências. Já li duas vezes. Lamentável, é tudo o que vou dizer.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

What a day...

Hoje, passei-me - não quero outro qualquer termo mais simpático - na aula.

Com a maior das latas um aluno e uma aluna, cada um com o seu, muito compenetrados no telemóvel. Desconfio que apesar de parecer, se o meu olhar conseguisse mesmo fulminar, aquela porcaria de 100/200€ que deve ter sido prendinha de natal dos papás, pelo comportamento e notas, de merda que tiveram aqueles dois, lhes tinha ardido ou derretido nas mãos.

Já me chega dar aulas em espaço publico e sujeitar-me a, de quando em vez, ter pais e demais assistência na bancada. Por muito divertidas que sejam as minhas aulas, e são, não preciso delas no youtube ou jornal da TVI.

Ainda assim o que me está a irritar no dia de hoje - nem é a cobertura às negociações do ministério da educação com os sindicatos, digna do ultimo conclave papal - é a terminologia tendenciosa metralhada pela RTP e RTPN durante todo o dia.

Nota: Mas desgraças à parte, querem ler coisas boas? Ide, ide, ide a correr ler isto e isto.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ironias

Uma ex-amiga minha morava o ano passado a 600 metros da escola. Era no centro da cidade, ainda assim ia de carro. O parque de estacionamento interior, privado, o salto alto, mala e pasta do computador eram as justificações, mais que válidas, dizia, para ter feito este percurso apenas uma vez e quando se trancou do lado de fora de casa e deixou as chaves do carro do lado de dentro. Não sei quantas vezes a chamei à razão para uma vida mais saudável e ecológica. Mas sei que todas perdi para os saltos altos.

A Jade à dias ficou ofendida, quando achei normal e bom o facto de, após um longo dia de aulas, ter feito 3 andares e longos metros, carregada de compras, do buraco onde conseguiu deixar o carro e a porta da despensa de casa.

Costumo dizer que se existe destino, quem regula o meu deve ter um sentido de ironia e/ou humor negro muito apurados. Como este ano não está para menos, fiquei sem carro. Desta vez o meu, que andava a ser partilhado por mim e pelo meu irmão já que o dele morreu comigo. (desta vez foi ele com o meu - desconfio de vingança que o dele está pronto amanhã).

Bem, mas falava eu de ironia e humor negro: o ultimo comboio que me punha na escola a tempo saiu há 2 minutos. São 7 km certinhos da porta de casa à da escola. Vou ali por a tralha mínima da escola no saco a tira-colo e vou.... a pé. Que a puta da bicicleta, podia ir conhecer o parque proprio em frente à escola, mas tem os pneus vazios.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Logo à noite, na Sic

...umas estações de metro depois da saída da escola e sem jantar: a Shadow.

É só procurar a gaja que não vai leva camisola do fêcêpê - que este período estou a dar atletismo e não futebol - e está, num dia da semana, ao fim da tarde, vestida de fato de treino, pertinho da relva e do banco do Porto, num sitio cheinho de câmaras de televisão.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Uns são filhos. Os da outra praia, enteados.

Li há pouco no "i" que este fim-de-semana, na praia da areia branca apareceram tesouros. Anéis, brincos, fios de ouro e prata, moedas de todos os valores, etc, etc.

Nos quilómetros de praia aqui do lado apareceram mortos, dezenas de polvos, um golfinho, um cão e um pé humano (se a curiosidade mórbida de alguém perguntar, ainda calçado, sim).

Dez

Foram as vezes que o despertador tocou, o desliguei e enfiei a cabeça debaixo do edredon.

Está a chover e são 4 de Janeiro. No meu tempo só se ia para a escola lá para 6 ou 8. E se o regresso fosse a meio da semana ou em dias de chuva, dizia a minha mãe "fica em casa, não vás, que nestes dias não se aprende nem ensina nada que não aprendas ou te ensinem nos próximos". Bons tempos.

Agora vou ali buscar o corrector de olheiras já que não posso ir buscar a caderneta de justificação para a minha mãe assinar.

Não é por nada, mas... Tenho de mudar de cabeleireiro

Os meus amigos/as, não dividiram bancos de escola comigo, são mais velhos do que eu e vão passando a marca dos 30, solteiros, sem filhos e sem apartamentos. Com mais ou menos países conhecidos, pior ou melhor carro e mais ou menos dinheiro na conta andamos todos pelo mesmo da vida pessoal e quase em regra a aturar filhos dos outros.

Mas de cada vez que vou ao cabeleireiro fico a saber que alguém que estudou comigo casou, teve mais um filho ou tem um cargo de topo numa multinacional.

O porque disto não sei. O que sei é que bebia o leitinho achocolatado, como os outros, todos os dias, na escola. E que provavelmente tenho de mudar de cabeleireiro para não levar com as estorias. Oh Shadow, sabes quem casou? Não estudou contigo? Ou era mais nova? Quantos anos tens? Se bem que, já não deve haver muita gente a faltar casar. Suponho que em caso de não mudar de cabeleireiro se segue um baby boom em Portugal.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Nunca vs Sempre

Momentos depois da minha melhor amiga terminar a defesa da tese, entreguei-lhe um envelope fechado. Lá dentro, uma prenda com dedicatória, adivinhando-lhe a nota que tanto queria. "18. Parabéns. Nunca tive dúvidas". Escrevi-lhe a frase que tanto ouvi, meses antes, nos dias que se seguiram à defesa da minha então primeira e ultima tese. Nessa altura longe de imaginar que poucas semanas mais tarde iria começar a próxima e de novo a ultima tese.

É algo que me irrita, ouvir essa frase, mesmo que embrulhada em carinho, orgulho ou admiração. Pesa-me no corpo todo o olhar de quem a profere. De quem a sente. Nos últimos meses, anos, com o Doutoramento, a bolsa, o recurso, a FCT, estas palavras têm-me sido insistentemente marteladas através de sms, mails, telefonemas e da pior forma... em simples pausa para café ou almoço partilhado com alguém com quem gosto de dividir tempo.

Eu. Tenho dúvidas todos os dias. E se não tivesse ou visse o meu mundo pelos olhos de quem me vê a mim, provavelmente já teria acabado o Doutoramento, num abrir e fechar de olhos. Que é isso que faz quem não tem dúvidas: segue em frente e completa ou termina de vez com o que tem pela frente.

Qual o porquê de, odiando eu tanto essa frase, a ter escrito à minha melhor amiga? Pela mesma razão ter escrito dias antes da defesa, mas só a ter entregue nos minutos que antecedem a decisão do juri. Porque a conheço melhor do que me conheço a mim.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Em casa de ferreiro espeto de pau. E a garagem?

Na casa dos meus pais, desde o meu tempo do liceu, que o ultimo andar é um estúdio. Decorado com várias estantes, aparelhagem, tv, consola, sofá e inevitável PC. As estantes foram sendo carregadas ao longo dos anos com cd’s de música e jogos, livros da colecção “Uma aventura”, aventuras de Sherlock Holmes, Harry Potter e dezenas de manuais e dossiers meus e do meu irmão, do básico à universidade.

Mas foi só nestas férias deste natal, quando a filha do meu primo invadiu o estúdio e o meu quarto (que é coisa que odeio desde que sou gente) em busca das estantes, que reparei nos outros objectos que estão lá desde sempre e vão crescendo.

“Também quero um armário assim!” - exige ela dos seus cinco/seis anos, onde a palavra estante ainda não existe e o entusiasmo vem sempre em gritaria. Pergunto-lhe se fala dos livros, dos porta cd’s divertidos em formato de dados e lata de coca-cola, ou dos vários bonecos da colecção (peluches, porta-fotografias, globo de neve) me 2 you; e começo a fazer contas sobre qual destes (livros que o resto ninguém lhe toca) lhe vou dar desta vez. “Não! Cheio de bolas!”

É certo que em muita coisa, “em casa de ferreiro, espeto de pau”. Mas desconfio que na garagem, do chão ao tecto reina o ferro velho, e as ferramentas deixam rasto até à cabeceira da cama. Cá em casa é a mesma coisa, na garagem além dos carros estão 3 bicicletas (e com o porto bike tour chegará a quarta). No meu quarto e no estúdio após as contas da pequenina, estão doze bolas de ténis, uma de futebol, duas de futsal, uma de basquete, outra de volei, duas de golf (verdade)… das mais tradicionais às estupidamente coloridas.

E agora vou ali por na lista de compras do novo ano, uma nova raquete de ténis e a bola de rugby em falta.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ludere causa ludendi: Jogar pelo prazer do jogo

A vista da ponte da arrábida sobre a foz do Douro é, com chuva, sol, de dia e de noite lindíssima. Arrepiante a qualquer hora e suster a respiração nos segundos que antecipam o por do sol. As inscrições começaram hoje às 00h00 e depois de três anos a adiar vai ser desta que vou ao bike tour. Não em S. Paulo ou Lisboa... mas, Porto.

Desde sempre que a organização empresta e oferece a bicicleta, capacete, mochila e afins. Os 60€ desconfio é o preço daquela vista, em que o Douro se une ao mar e o prazer de fazer em duas rodas o percurso da ribeira e cais de Gaia com sol, sem motores, sem ir fechada dentro de chapa e vidros e com velocidade mínima imposta


Não tem a ver com o novo ano, não tem a ver com a nova idade no BI, tem a ver com fazer o que nos faz bem à alma, ao corpo e ao sorriso. E agora vou ali ao armário tirar uns collants e gorro para juntar à sweat polar e iPod. Amanhã de manhã lá estou, de sapatilhas, no passadiço, na praia, a correr.