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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Público.pt

Cara malta ou individuo/a do Publico.pt que anda por este blog,

Certamente que estará perdido!

Além de aqui não existir nada de interessante, este blog é um espaço com tantos temas e devaneios que chega a não ter tema nenhum! Pior, permita-me o auto-elogio de o informar que este blog fica aquém do 24 horas ou Correio da manhã! O que saberá certamente que não dizendo nada, quer dizer muito.

Em caso de por aqui andar perdido, clique ali no "X" no cimo da página e verá facilmente o seu problema resolvido. The X marks the spot! Em caso de, por algum motivo além da minha compreensão, se encontrar aqui de forma propositada, só lhe posso confessar o meu alivio pela ministra de educação já não ser a mesma. E por a Marg@rid@ Moreira, não fazer ideia que pertenço à DREN! Ups, acho que não devia ter dito isto!

Eh eh eh

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Seriously?

Está uma gaja a trabalhar no Doutoramento a estas belas horas e eis senão quando, salta uma janela pop-up. "És uma raposa astuta ou uma vaca burra?" pergunta a janelinha que oferece uma PS3 e resultados de QI. Ora eu que tenho mais que fazer ao tempo, à inteligencia e ao saldo do telemovél... fico-me só por este pensamento: Alguma mulher conhece algum ser que, preenchendo o requisito obrigatorio de saber ler e sendo catalogavél de vaca, não seja não só mais astuta que uma raposa mas digna de nobel de hipocrisia, chico-espertice e filha-putice?

Parece-me uma pergunta tão legitima como a do site. E sem usar a bandeirinha de Portugal, que ainda dá um toque mais especial.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ana? falta. Eva? falta. Gil? falta. H1N1? presente!

13alunos
- Oh professora o C. e eu tivemos febre de manhã...
- NINGUÉM VOS DISSE QUE DEVIAM ESTAR EM CASA?
- Oh professora mas eu estive em casa 5ª, 6ª, sábado e domingo!
- Com jeito ficas lá amanhã outra vez. Mas claro, tinhas de vir hoje, não seria 2ª feira se não me viesses chatear o juízo. Arf...


Mas ninguém sabe pôr os Magalhães e os e-escola a fazer de babysiter das criancinhas?! Experimentem lá instalar o PES para os Meninos e Mahjong para as Meninas a ver se inda querem sair de casa para vir à educação física... Eu percebo que os papás tenham que trabalhar. Tb eu tenho muito para fazer além de andar com o termómetro atrás ou a gripe no corpo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

As aulas....

1: O Leite

Sexta-feira uma aluna ficou sem um dente no inicio da aula. Hoje foi outra.

- WTF! Mas como é que isso aconteceu?
- Arranquei-o.!

E foi assim que me responderam as duas... Está bonito está. É só cálcio e juizo esta-se mesmo a ver. Qualquer dia aparecem-me os pais a perguntar o que ando a fazer às criancinhas, ou isso ou a fada dos dentes.


2: A Coca-cola

Peço e aviso para levarem sempre garrafas de àgua para as aulas. Primeiro ninguém me chateia o juizo a perguntar se podem beber àgua, bebem e pousam no banco de novo. Segundo não me desaparece metade da turma durante meia-hora para ir beber àgua à casa de banho e fazer sei lá o que mais nos 28 minutos que demoram mais.

- Ó MJ o que raio estás tu a fazer na minha aula com uma garrafa de coca-cola de 1lt?
- A professora diz sempre para trazer garrafa de água.
- É pá, a única parte certa nessa equação é a garrafa, percebes isso?!
- Mas a minha mãe diz que esta não faz mal porque é light!!!

Nota: Caem dentes, pois caem. São obesos, pois são. Mas desde que seja light.... E eu que carregue com eles, quando têm 70km e 1,50m e não conseguem levantar uma perna no ar quanto mais fazer o pino.

Já que andamos numa de Rankings na escola: Ranking dos piores

Com um mês de aulas o H, levava um belo avanço sobre os meus outros alunos, na corrida pelo título de pior aluno do ano. E apresentava já credenciais para concorrer ao TOP10 de pior de sempre. Escrevi no passado porque... soube hoje pelos miúdos que, no final de uma aula por um qualquer motivo, agarrou a cara e pescoço de um colega e atirou-o de cabeça contra a parede. Resultado o colega, que também é meu aluno foi inconsciente para o Hospital e o H, pelos vistos expulso da escola.

Não nego o meu alívio e até felicidade por não ter aturado o H, na aula hoje. Mas não creio que o H, seja expulso da escola… não enquanto reinarem estas novas e maravilhosas regras e estatutos que transformaram expulsar ou chumbar um aluno em mitos urbanos (conseguem perceber a ironia enojada com que escrevo isto, certo?).

As fontes não oficiais dizem que vai ser expulso ou transferido pelos pais para um colégio de freiras aqui na área. As oficiais ainda não disseram nada…. Estou à espera, para festejar ou para perceber se vou ter de dar aulas de capacete. Não para mim, que tenho cabeça dura, nem para o colega que como está internado não deve fazer aulas tão cedo. Mas para os 23 colegas… não vá ele agredir e desta ver matar algum.

ps: Também não era mal pensado, enquanto o H, não é expulso, convidar a Maitê Proença a assistir a uma aula minha com o H, presente. Se não sabem do que é que eu estou a falar... é clicar aqui. Tenho a certeza que o H, seria carinhoso e se não fosse, não se perdia nada.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O que comprei eu afinal por 1500€ na FNAC

Belo dia de sol, neste primeiro de Outono. Acordei extremamente bem-disposta. Abri sorriso, vesti umas calças amarelo canário de fazer parar transito, sapatilha, camisola e casaco pretos e lá fui eu dar aulas.

O amarelo das minhas calças até pode parar trânsito, mas não evitou o desastre de aula do último tempo. Noventa minutos de má educação, indisciplina, desmotivação… Uma turma de índios. Daqueles que trepam cadeiras, mesas, paredes, tudo. Daqueles que falam, falam, falam, falam, e só se calam para ganhar fôlego. Daqueles que não gostam de educação física não tanto pelo físico mas pela educação. Daqueles em que a informação não entra por uma orelha e sai pela outra, simplesmente não entra. Daqueles em que os engraçadinhos se atropelam para fazer e dizer asneirada.

Tinha começado o dia de sorriso aberto. Bem-disposta. Acabei essa aula a mandar dois berros com um timbre de que nem tenho recordação de o ter utilizado algum dia. Fuzilei-os a todos e a cada um com o olhar. E terminei dizendo que se há coisa que detesto é ser chata, é ser má. Mas como sou excelente em tudo o que faço também consigo ser excelente a ser megera. Just try me, once more.

Escusado será dizer que correu lindamente o resto da aula e que a próxima será mais do mesmo. Para quem tinha curiosidade de saber o que comprei eu afinal por 1500€ na FNAC, foram 2tl de paciência a granel. Ali entre a secção da educação, saúde e espiritualidade.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

a T,i.

Hoje é o aniversário de uma ex-aluna minha. Não é uma ex-aluna qualquer, é aquela que lidera, ainda hoje, o ranking de “A mais destrambelhada de neuroine e afins”.

A propósito dos afins, T. conseguia ser destrambelhada em todas as matérias... TODAS.  Desse eu o que desse e nesse ano ensinei desportos de combate. Enquanto o meu neurónio batia no tapete num desesperante “Alguém que me tire deste filme.” T. passeava-se pela aula nos seus gritozinhos Ai e gritozões YAAAAA enquanto não mexia nenhuma parte do corpo como o pedido. No seu corpo magro, esguio T era nas minhas aulas uma marioneta desconjuntada e de fios quebrados. 


T. passou meses a pedir com a sua voz nasalada “Futebol, futebol, queremos  futebol”. No dia da primeira de 12 aulas futebol, T. estava farta ao fim de 20 minutos… Eu tinha juntado a uma marioneta desconjuntada 8 rapazes que corriam pelo campo como potros selvagens! Pior que isso, tinha juntado um objecto vivo, com personalidade e redondo: a bola. 

A única maneira de convencer T. a mexer-se durante as suas tão aguardadas aulas de futebol  foi prolongar as minhas enxaquecas e deixa-la vibrar  nos seus gritozinhos Ai e gritozões YAAAAA a cada vez que defendia uma bola! Cada vez que o remate ia fora,  o remate era interceptado, a bola saía pela lateral, a bola passava o meio-campo, a bola ia para a bancada, alguém entrava no pavilhão, alguém tinha uma camisola rosa, alguém… enfim! T gritava por tudo. T gritava por nada!


Pior que os gritinhos de T eram as suas perguntas parvas. T foi capaz de algumas perguntas e respostas mais absurdas e hilariantes que ouvi em toda a minha vida… Se perguntasse a T qual o nome de determinada linha do campo era possível e pior, provável que me respondesse linha branca ou linha preta e fazia-o sem o menor sentido de gozo (e esforço). A alguns destes momentos respondi pacientemente, outros ignorei enquanto revirava os olhos ou virava costas. Houveram ainda aqueles dignos de linha branca ou preta ou redonda que desmontaram todo o meu ar sério e mau e me deixaram lágrimas de tantas gargalhadas (minhas e da turma),  enquanto pedia a alguém que falasse a sua língua o favor de lhe pedir para descer à terra. 


T tinha tudo aquilo que eu não gostava nos alunos, vontade para trabalhar equivalente a ZERO, perguntas absurdas e despropositadas, atenção na lua, nível de desempenho motor médio-fraco e era ainda incapaz de compreender ironia. T. gostava de mim. E eu nunca percebi o porquê.


Na minha última aula coma turma de T. levei um Mars para cada um deles e expliquei a todos o quão e porque eram importantes. Dei a cada um deles a folha que, numa fase em que estavam parvos de todo, os obriguei a escrever uma qualidade sobre o colega que tinha o nome na folha e percorrer todas as folhas menos a sua. Queriam que continuasse na escola, que continuasse professora deles, para sempre! T liderava os manifestos. Enternecida prontamente respondi, para sempre?! Credo, vocês também não são assim tão burros! Bem.. não todos pelo menos. Sorri. Acedi aos últimos pedidos, dei o meu e-mail e deixei-os fazer as perguntas pessoais que tanto desejavam. Quando chegou a vez da pergunta de T. tinha o Tico e o Teco em alerta máximo a tentar antecipar o que viria dali. T. disse o quanto gostava de mim, o quanto eu a tinha ajudado, o quanto queria que eu ficasse na escola e finalmente perguntou qual era o meu numero. T. gostava de mim. E eu nunca percebi o porquê. Sorri e deixei  responder a pessoa que estranhamente ela gostava, 39/40 T, é esse o meu número, boas férias a todos e… T, juízo! Sorri. Virei costas e caminhei até à sala dos professores sem falar com ninguém, enquanto os miudos explicavam a T que claramente não ia dar o meu telemovél e o 39/40 era o numero das minhas sapatilhas. 


T. não tinha nada do que me apaixona nos alunos, tinha tudo aquilo que me irrita. Eu gostava de T. e não sabia o porquê. T fez aquilo que era suposto ser eu a fazer, conquistou-me.  Hoje agradeço-lhe. (pelo tanto que me deu, dá e ensinou.)