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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Reunião

Tenho reunião no final das aulas e já preparei tudo:

Post-it amarelo «cala-te!» colado na capa preta da moleskine. Lembrança eficaz sobre a melhor forma de sobreviver a estas reuniões e sair sem aumentar a conta de inimigos.

Palhaços alugam-se, não se convocam.

Faltavam dois minutos para sair da escola quando entrei na sala para arrumar o livro de ponto. Atrás de mim, em corrida, uma funcionária de convocatória e caneta em punho.

Quem é que sexta-feira vai levar com os miúdos e o Carnaval, quem é? a Shadow. Já avisei para quem me quis (e está no mesmo barco) e quem não quis (entra de fim-de-semana umas boas horas antes da hora) ouvir. «Vou de óculos de sol, calças de ganga e camisa para a escola. Vestida à professora de uma coisa qualquer fina (como as que vão de fim-de-semana) e não de educação física. Não vou mexer em tintas, pinturas ou arrastar moveis. Não vou arbitrar lutas de balões de agua e não vou ser policia de qualquer tipo de bombas de mau cheiro. Todo o meu espírito de palhaçada foi gasto a assinar uma convocatória que diz que eu, que só tenho 90' à sexta, vou passar uma tarde inteira de babysiting; e a malta que se lembrou da feliz ideia de correr a cidade a pé, vai tomar café à praia ou fazer as malas para as mini-férias.»


domingo, 24 de janeiro de 2010

Opinião

Anda a blogosfera docente em peso a emitir opiniões sobre a, ou uma, nova organização da matriz curricular. Sobrescrevo muito do que tem sido dito e escrito sobre o tema, especialmente no que à redução dos 90 minutos diz respeito.

Percebo que os colegas de matemática e português em algumas aulas por semana, queiram funcionar com a turma por metade a trabalhar de forma alternada. Percebo que os de ciências fisico-quimicas e naturais também. Acho mesmo que são boas ideias.

Agora o que não percebo é como é que neste país de obesidade infantil, jovem e sénior (apoio-me em estatísticas bem gordas para dizer isto) se acha bem que a educação física se resuma a duas aulas de 60 minutos (já a assumir a redução dos 90)? Neste país onde a informação e formação nutricional é aproximadamente: Zero e nestas idades onde o nosso corpo é parte fundamental da auto-estima e bem-estar, não se pense que a disciplina possa e deva cumprir a função e evoluir para "Desporto, condição física e Saúde".

Não quero mudar o nome à disciplina, que isso pelas faculdades tem originado guerras e debates demais. Quero é que as pessoas, incluindo colegas, percebam que a parte da educação no nome da disciplina serve ou devia servir precisamente para isso, para acompanhar e educar os miúdos. Até a nível higiénico - porque não acredito que me digam que é apenas nas escolas pro onde tenho passado que se nota o processo de fermentação da transpiração e falta de cuidados dos miúdos - antes, durante e depois das aulas.

Quero que percebam que as recomendações mundiais há muito que deixaram os 3 dias (que na escola portuguesa se traduziu sempre e apenas em dois) e que corresponde actualmente a 5/7 DIAS. Quero que percebam que esta educação em Portugal, se faz apenas nos BONS ginásios e aos adultos, a vocês, a nível físico e nutricional. Que o ideal seria fazer-se na escola, já que não se faz de todo, em casa. E, mesmo considerando que esta disciplina envolve uma logística diferente, não me oponho a que reduzam as aulas de 90' se passarem as de 45' também para 60'.

Oponho-me sim é que se continue a viver com a cabeça enfiada na areia... não se crie valorize a dimensão desportiva da educação a par da artística, cientifica, cultural e social. Não se perceba que a disciplina, por todas as boas razões, deveria traduzir-se em 3/4x's 60'/semana.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Generosidade

Enquanto aluna, fui construindo e desconstruindo conceitos do que é ser bom professor. Enquanto professora fui rejeitando muitos desses conceitos e encontrando novos.

Mas até hoje, há um conceito que permanece. Uma característica que identifica quase automaticamente um bom professor: Generosidade. no tempo. na paciência. na voz. no conhecimento. na atenção. (até na marcação de trabalhos de casa).

Ser generoso, com os outros, connosco, é das lições mais difíceis e importantes na vida.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Impossible is Nothing

Tudo é possível nas aulas, pelo menos nas minhas.

O ano passado, em plena aula – exterior – um cão, do tamanho da minha sapatilha (nº 39/40) vindo sabe-se lá de onde, mordeu um dos meus alunos. Foi a lesão mais grave que já tive durante uma aula.
Cão-com-raiva-morde-aluno-na-perna 1 – 0 Lesões-por-corrida-de-barreiras-ou-mortais

Sexta, esse aluno que continua a ser meu este ano, pediu-me em casamento, em frente à turma e funcionários. Apesar dos seus olhos azul-céu e cabelo loiro-amarelo-sol, a resposta foi, espantem-se, não. Perguntou-se se a resposta seria diferente se ele fosse mais velho. Respondi-lhe que a resposta seria diferente se lhe saísse (a ele, não aos pais) o euromilhões.

Hoje… uma miúda fez xixi pernas abaixo. Nem a dar aulas a bebes, na piscina me tinha acontecido tal coisa, quanto mais na escola.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O lado negro

Hoje quando atravessava o corredor para devolver o livro de ponto, assisti à maior gritaria e peixeirada que algum dia presenciei numa escola. Na sala, de porta fechada, a colega aos berros... segundos depois o miúdo a tentar responder-lhe. Na impossibilidade física de usar o mesmo tom, tentou explicar-se uns furos mais abaixo. Mal disse a primeira silaba, foi expulso da sala e... é ela quem bate com a porta.

Ouvi tudo isto ainda no corredor ao lado. Quando cheguei junto dele, encontrei-o sentado, encostado à parede, de olhar irado e em lágrimas, fixo na porta - que alguém, que além de ser professora deve ser educadora ou no mínimo adulta responsável, lhe fechou na cara.

É um miúdo conhecido na escola por ser muito complicado. Acumula retenções e problemas familiares. A mãe, acredita piamente que os problemas dele se devem a inteligência acima da média. Os professores e funcionários, ainda não perceberam se os problemas dele são só na escola - por preguiça e falta de capacidade - ou se vive algo grave em casa.

Eu que já lhe dou aulas desde o ano passado, tenho a certeza que 40% dos cabelos brancos que me têm nascido, se deve às as aulas da turma dele. Tendo em conta que estou em Doutoramento e que além da escola tenho vida, 40% é um numero assustador que explica bem o problema de lidar com ele.

Porque fui professora dele o ano passado, fiz um esforço matemático e pessoal, no final do 1º período, para lhe dar a positiva - que por critérios não merecia, que por principio próprio jamais pensei dar. Na primeira aula deste período provou-me que foi um erro. E ao fim de 10 minutos, arrependi-me.

Arrependi-me, mas guardei a lição para mim, ciente que a estratégia de estimulo positivo me tinha saído bem furada. Hoje, depois de assistir à berrante estratégia oposta... sentei-me com ele num banco, tentando perceber o que tinha originado toda aquela cena.

Não faço ideia como se ajuda este miúdo - ao que parece o psicólogo que o acompanha há dois anos também não. Mas mais preocupante que isso... é como se ajuda a professora que fala com os alunos para lá de berros. Que bate com a porta com toda a força que tem. E tenho medo de saber o que mais...


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Confissões de fim de ano II: Aluna

Como a minha vida é cheia de ironias, absurdos e repetições, a pessoa que mais admiro é uma mulher, loira, magra. Fã de benetton, salsa e sempre com as botas (sua imagem de marca) mais fashion do mercado. Professora de Português e Inglês. Adorada pelos alunos.

Ela conheceu-me desde sempre. Viu-me durante anos, crescer, saltar e correr por baixo de mesas, sala de professores e corredores fora, brincando com filhos de outros professores. Eu, conheci-a quando tinha 9 anos, e ao entrar na sala no dia de apresentações me tratou imediatamente pelo diminutivo restrito à família. Sorriu e perguntou-me se me lembrava, se a conhecia. Eu sorri de volta e com alguma superioridade disse-lhe que devia ser a quinta pessoa que me perguntava aquilo naquele dia.

É indescritível como ela, que me deu aulas apenas nesse ano, me marcou enquanto professora, enquanto mulher, enquanto mãe, enquanto ser humano. Segui todo o básico e liceu sem lhe perdoar (injustamente, que já deixei de ser adolescente há uns anos) o facto de não ter dado continuidade à minha turma e ter seguido com os “nojentinhos” da turma C por mais um ano. Ela, sempre me abraçou e disse que não teve escolha. Porque nunca acreditei e nunca lhe deixei de lembrar a cada vez que falávamos… tirou cópia do processo para me mostrar que a minha memória me trai desde esse ano. Nesse ano de que falo, seguiu para a formação, na expectativa de poder manter uma turma à escolha. A minha. A nossa. Embora me custe admitir não creio que lhe seja alheio o facto de ter ponderado durante anos “ser professora de inglês quando fosse grande”.

No outro dia quando a encontrei, falamos sobre tudo isso, novamente. Ela sabe por alto, e jamais pela minha boca, que no ano em que nos “abandonou” eu me tornei completamente objecta ao inglês. Continuava a falar um inglês correcto e evoluidíssimo para a idade, mas usava-o para dizer à nova professora que não me chateasse o juízo e me deixasse estar no meu canto. Esta provavelmente e com razão achava que eu era completamente idiota e tratava-me nessa base. E quase virei, ou virei mesmo, por algum tempo aluna de 3 ou de 2.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Neve para os ricos e chuva para os pobres

Dia e horário de aulas e os meus ex alunos estão todos online no messenger. Why? Simples. Está a nevar e a escola nem chegou a abrir... Mais um ano que comprova a regra: a escola fechou todos os anos menos aquele em que lá dei aulas!

Estava aqui a pensar como é que esta poderia fechar... a única hipótese seria um tsunami... e ainda assim, não um qualquer, que do portão da escola à praia ainda são 3km.

Pronto. Vou trabalhar, terminar e imprimir as avaliações (a minha auto-prenda de anos) e dar aulas que não tenho a sorte dos outros.


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Alunos, vegetais e outras coisas que tais

OS meus alunos são tão bons, mas tão bons, que hoje (andebol) marquei um golo de baliza a baliza (40 metros).

- UAU! oh stora é mesmo boa.
- Pois. E vocês mesmo nabos. Nabiças A 2 - 4 Nabiças B. Vamos, bola ao meio.

PS: e para que não existam dúvidas, aqui fica uma foto de alguns dos meus alunos hoje na aula.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ana? falta. Eva? falta. Gil? falta. H1N1? presente!

13alunos
- Oh professora o C. e eu tivemos febre de manhã...
- NINGUÉM VOS DISSE QUE DEVIAM ESTAR EM CASA?
- Oh professora mas eu estive em casa 5ª, 6ª, sábado e domingo!
- Com jeito ficas lá amanhã outra vez. Mas claro, tinhas de vir hoje, não seria 2ª feira se não me viesses chatear o juízo. Arf...


Mas ninguém sabe pôr os Magalhães e os e-escola a fazer de babysiter das criancinhas?! Experimentem lá instalar o PES para os Meninos e Mahjong para as Meninas a ver se inda querem sair de casa para vir à educação física... Eu percebo que os papás tenham que trabalhar. Tb eu tenho muito para fazer além de andar com o termómetro atrás ou a gripe no corpo.

Diz que foi Sexta-feira 13

Agravado pela ausência de alguns professores, sexta acabei a dar aula a oito. Cada um escolheu um jogo para encaixarmos nos noventa minutos e fui fazer aula com eles. Não me ria assim há muito tempo. E sendo esta a minha pior turma de sempre, é dizer muito.

Veremos se amanhã volto aos 24 do costume ou se entra em acção o H1N1, esse compincha dos professores.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Requalificação do parque escolar (leia-se obras)

Somos 4 escolas diferentes a dar educação física no mesmo espaço (publico). As historias vão-se acumulando... hoje foi assim:

gajo nos seus 50 a medir-me de cima a baixo: Tu não foste estagiaria na minha escola?
eu, a sair com os miúdos e sem travar a marcha: Não. Mas você foi meu professor há uns bons anos atrás. (e mau)

Prioridades e Tim-Tins no sitio

Anda tudo de rastos lá da escola. E era bom que isso fosse a pior parte. Mas não é. Já esteve pior (antes das férias) é certo... Mas a malta anda de rastos. E os que não andam de rastos têm acessos de raiva, alterações de humor, depressões, tudo em formato bomba-relógio.

Não tem a ver com a avaliação ou carreira. É tudo e o todo. É a burocracia. A falta de respeito e importância que passamos a ter. A impotência. A sensação de facilitismo. E constante derrota. São raros os dias bons...

E é por isso que esta noite me caiu lindamente o sofá com uma manta para poder parar e ouvir isto. Não se trata de esperança ou (falsas) expectativas. Simplesmente gostei que alguém com real poder falasse assim dos professores. E ela falou. Sem sorrisos irónicos ou condescendentes. Tenho para mim que teria falado mais e de coisas que me interessam se, a Judite não tivesse interrompido, vezes a mais. Não era preciso que fosse uma entrevista tão livre como a do Lobo Antunes. Mas... Tenho mesmo pena que a Judite a tenha tratado como se ela fosse a Milu. Ou a culpada da situação que agora assumiu. Mas confesso, ainda bem que assim foi, porque caso contrario não sei se teria ouvido "não, não. eu não acho. eu sei. eu faço." Alguém que diz isto em directo na tv nacional e em horário nobre tem as prioridades e tim-tins no sitio.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Anyone?

Já de noite, para lá do meu horário, dizia eu, que sou sagitário e idiota, à saída da escola:

Então! Há quase um ano que a nossa escola não aparece na tv! Não se arranja aí um ou dois casos de gripe nas vossas salas? Nem precisa ser da "A" poder ser da "F", da F.ingida. Assim só um ou dois para aparecermos na tv, e três ou quatro para se fechar a escola uns dias.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tanta roupa e nada para vestir


No estacionamento da escola antes de mais um dia de aulas suspiro e desabafo para o ar e para uma colega. "Porra, já não aguento. Preciso de férias. Férias!". Ela abana a cabeça e diz que ainda ontem o desabado era o mesmo com outros colegas da escola... anda tudo cansado com testes, aulas, miúdos, planificações... gripe.

Olho para ela e solto uma gargalhada a prever a pérola que me vai sair boca fora.

"Também! Mas eu queria mesmo férias era para poder vestir calças de ganga. Palavra de honra que já não aguento sair da cama de pijama e vestir outro mais ou menos colorido para vir trabalhar e voltar a troca-lo no fim do dia por... pijama! Ou começo a dormir de jeans e camisolas ou qualquer dia venho dar aulas vestida à civil. Como gente".

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

All Star é que não...

eles: Oh stora....
eu, desconfiada: hmmm?
eles: Anda sempre com ténis diferentes! Quantos pares tem!?
eu, após várias contas de cabeça: Querem por cores, marca ou total?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

The Fun Theory

É exactamente assim que funcionam as minhas aulas de educação física. Não todas claro, que milagres não faço. E correr com os alunos às costas também não. Mas naquelas turmas de alunos a sério e nas outras que se deixam contagiar... é assim: Be fun, make it Fun!



domingo, 18 de outubro de 2009

y' + P (x) y = Q(x)y^n

Existem três palavras-chave nas minhas aulas. Respeito. Vontade. Diversão. E a soma das primeiras conduz invariavelmente à terceira, como uma equação em que R + V = D. Mas ao contrário de outros anos e locais, tenho passado estas semanas de aulas a dar educação... que é coisa que já não se traz de casa. E quando se traz deixa-se à porta da escola para não dar a ideia de serem o elo mai fraco.

Como não sou fã da Paula Bobone (credo) nem de mãe, tia ou madrinha de mais de 100 criancinhas, gastar tempo com sermõeszinhos sobre princípios e como ser aluno, colega, amigo e sobretudo gente, têm sido para mim semanas de frustração. (Se há coisa que qualquer sagitário odeia é repetir-se e se há coisa que me tira o humor é ter de ser insistente e auto-rotular-me de chata.) Mas existem aspectos, princípios e atitudes indispensáveis, nas minhas aulas, e por isso, de lado, tem ficando o tempo útil de aula…

Mas aquilo que incomoda qualquer professor de educação física (os bons pelo menos), não é o Respeito e sim a Vontade. O respeito instruísse, a vontade não. Continuo a achar extraordinário a forma como alguns alunos, sobretudo as miúdas olham para as bolas e para os campos de aula como se fossem OVNI’s e ET’s. Coisas estranhas, incompreensíveis e assustadoras.

Como se aquela coisa redonda, hairless e colorida, que é uma bola, fosse a qualquer instante abrir uma bocarra escondida e arrancar a mão e membro a quem a planeava agarrar. Como se um campo de andebol, voleibol, ténis ou outros, fossem dignos de serem labirintos de minotauros ou cavernas taliban. E como se as regras dos jogos fossem equações matemáticas dignas de Nobel.

Está-lhes estampado no olhar, e não leva muito tempo a um professor de educação física para elaborar a lista dos miúdos que, anseiam pelos minutos onde se escondem atrás de uma garrafa de água que se finge beber, de um atacador que se finge apertar ou na visita prolongada ao balneário e WC para fazerem o mínimo possível na aula.

Em parte tenho pena de ver em aula miúdos com o pânico estampado no olhar e desconforto no corpo. Um estado de vigília e terror como se de tortura se tratasse. Mas do outro lado estou eu. Enquanto aluna sempre foi uma frustração ter de fazer equipa com esses miúdos que tinham ali o ultimo sitio do mundo onde queriam estar, quando virei professora, pior.

Por saber isto, faço tudo menos aulas e exercicios convencionais. Tenho na diversão o produto e no ensino o meio, e não o contrario. Explico e exemplifico em 300 línguas diferentes…. E ainda assim correm para o lado oposto. Fogem das bolas e de tudo o que seja acção, ou na língua deles confusão. Jogam tudo com as mãos e quando os jogo são com mãos decidem-se pelos pés. Gritam Ui’s e Ai’s sempre que tocam ou algo lhes toca. Chegam ao fim de qualquer jogo sem saber quem ganhou, perdeu ou porquê. Chegam ao fim de qualquer jogo contentes porque terminou.

Nunca vi qualquer destes miúdos a sorrir antes ou durante a aula. Posso cair eu e a estrela da turma, estatelados no chão da forma mais parva. Eu e outros vamos rir, outros vão sorrir… mas aqueles 2, 3 vão permanecer apáticos. Sem perceber que, na educação física, tal como em português, inglês e matemática: A soma de dois e dois é igual a quatro, e quem não percebe isso… não fica gordo, mas é nabo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

As aulas....

1: O Leite

Sexta-feira uma aluna ficou sem um dente no inicio da aula. Hoje foi outra.

- WTF! Mas como é que isso aconteceu?
- Arranquei-o.!

E foi assim que me responderam as duas... Está bonito está. É só cálcio e juizo esta-se mesmo a ver. Qualquer dia aparecem-me os pais a perguntar o que ando a fazer às criancinhas, ou isso ou a fada dos dentes.


2: A Coca-cola

Peço e aviso para levarem sempre garrafas de àgua para as aulas. Primeiro ninguém me chateia o juizo a perguntar se podem beber àgua, bebem e pousam no banco de novo. Segundo não me desaparece metade da turma durante meia-hora para ir beber àgua à casa de banho e fazer sei lá o que mais nos 28 minutos que demoram mais.

- Ó MJ o que raio estás tu a fazer na minha aula com uma garrafa de coca-cola de 1lt?
- A professora diz sempre para trazer garrafa de água.
- É pá, a única parte certa nessa equação é a garrafa, percebes isso?!
- Mas a minha mãe diz que esta não faz mal porque é light!!!

Nota: Caem dentes, pois caem. São obesos, pois são. Mas desde que seja light.... E eu que carregue com eles, quando têm 70km e 1,50m e não conseguem levantar uma perna no ar quanto mais fazer o pino.

Já que andamos numa de Rankings na escola: Ranking dos piores

Com um mês de aulas o H, levava um belo avanço sobre os meus outros alunos, na corrida pelo título de pior aluno do ano. E apresentava já credenciais para concorrer ao TOP10 de pior de sempre. Escrevi no passado porque... soube hoje pelos miúdos que, no final de uma aula por um qualquer motivo, agarrou a cara e pescoço de um colega e atirou-o de cabeça contra a parede. Resultado o colega, que também é meu aluno foi inconsciente para o Hospital e o H, pelos vistos expulso da escola.

Não nego o meu alívio e até felicidade por não ter aturado o H, na aula hoje. Mas não creio que o H, seja expulso da escola… não enquanto reinarem estas novas e maravilhosas regras e estatutos que transformaram expulsar ou chumbar um aluno em mitos urbanos (conseguem perceber a ironia enojada com que escrevo isto, certo?).

As fontes não oficiais dizem que vai ser expulso ou transferido pelos pais para um colégio de freiras aqui na área. As oficiais ainda não disseram nada…. Estou à espera, para festejar ou para perceber se vou ter de dar aulas de capacete. Não para mim, que tenho cabeça dura, nem para o colega que como está internado não deve fazer aulas tão cedo. Mas para os 23 colegas… não vá ele agredir e desta ver matar algum.

ps: Também não era mal pensado, enquanto o H, não é expulso, convidar a Maitê Proença a assistir a uma aula minha com o H, presente. Se não sabem do que é que eu estou a falar... é clicar aqui. Tenho a certeza que o H, seria carinhoso e se não fosse, não se perdia nada.