Mostrar mensagens com a etiqueta Alunos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alunos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 13 de abril de 2010

"Olá Stora, Boa tarde!"

É típico, pós-férias e assim que coloco um pé para lá do portão, ter alunos a correrem na minha direcção a dizer que estão com saudades minhas e das minhas aulas. Que "nunca mais é terça" ou "quarta" ou "quinta" para que chegue a aula com eles. (Graxistas desenvergonhados!). Depois quando chega é claro que se esquecem, e só querem fazer o mínimo possível, ou futebol, claro.

Mas ontem fiquei de coração quente. Fim de aulas e em contagem decrescente para a reunião passa o "terror" da escola junto à janela onde íamos esperando os pais. Segundos depois estava à porta da sala, de sorriso branco e luminoso a dizer "Olá stora! Boa tarde!".

O P. já foi o meu pior aluno, de sempre. E, P. foi também o caso hipotético que tive que resolver por escrito e em oral num exame de psicologia na universidade na Roménia. Lá, na universidade, demorei 90 minutos para chegar aos 20 valores. Cá, na vida real, demorei um ano e meio... a fazer com que ele chegasse lá.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Impossible is Nothing

Tudo é possível nas aulas, pelo menos nas minhas.

O ano passado, em plena aula – exterior – um cão, do tamanho da minha sapatilha (nº 39/40) vindo sabe-se lá de onde, mordeu um dos meus alunos. Foi a lesão mais grave que já tive durante uma aula.
Cão-com-raiva-morde-aluno-na-perna 1 – 0 Lesões-por-corrida-de-barreiras-ou-mortais

Sexta, esse aluno que continua a ser meu este ano, pediu-me em casamento, em frente à turma e funcionários. Apesar dos seus olhos azul-céu e cabelo loiro-amarelo-sol, a resposta foi, espantem-se, não. Perguntou-se se a resposta seria diferente se ele fosse mais velho. Respondi-lhe que a resposta seria diferente se lhe saísse (a ele, não aos pais) o euromilhões.

Hoje… uma miúda fez xixi pernas abaixo. Nem a dar aulas a bebes, na piscina me tinha acontecido tal coisa, quanto mais na escola.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O lado negro

Hoje quando atravessava o corredor para devolver o livro de ponto, assisti à maior gritaria e peixeirada que algum dia presenciei numa escola. Na sala, de porta fechada, a colega aos berros... segundos depois o miúdo a tentar responder-lhe. Na impossibilidade física de usar o mesmo tom, tentou explicar-se uns furos mais abaixo. Mal disse a primeira silaba, foi expulso da sala e... é ela quem bate com a porta.

Ouvi tudo isto ainda no corredor ao lado. Quando cheguei junto dele, encontrei-o sentado, encostado à parede, de olhar irado e em lágrimas, fixo na porta - que alguém, que além de ser professora deve ser educadora ou no mínimo adulta responsável, lhe fechou na cara.

É um miúdo conhecido na escola por ser muito complicado. Acumula retenções e problemas familiares. A mãe, acredita piamente que os problemas dele se devem a inteligência acima da média. Os professores e funcionários, ainda não perceberam se os problemas dele são só na escola - por preguiça e falta de capacidade - ou se vive algo grave em casa.

Eu que já lhe dou aulas desde o ano passado, tenho a certeza que 40% dos cabelos brancos que me têm nascido, se deve às as aulas da turma dele. Tendo em conta que estou em Doutoramento e que além da escola tenho vida, 40% é um numero assustador que explica bem o problema de lidar com ele.

Porque fui professora dele o ano passado, fiz um esforço matemático e pessoal, no final do 1º período, para lhe dar a positiva - que por critérios não merecia, que por principio próprio jamais pensei dar. Na primeira aula deste período provou-me que foi um erro. E ao fim de 10 minutos, arrependi-me.

Arrependi-me, mas guardei a lição para mim, ciente que a estratégia de estimulo positivo me tinha saído bem furada. Hoje, depois de assistir à berrante estratégia oposta... sentei-me com ele num banco, tentando perceber o que tinha originado toda aquela cena.

Não faço ideia como se ajuda este miúdo - ao que parece o psicólogo que o acompanha há dois anos também não. Mas mais preocupante que isso... é como se ajuda a professora que fala com os alunos para lá de berros. Que bate com a porta com toda a força que tem. E tenho medo de saber o que mais...


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Confissões de fim de ano II: Aluna

Como a minha vida é cheia de ironias, absurdos e repetições, a pessoa que mais admiro é uma mulher, loira, magra. Fã de benetton, salsa e sempre com as botas (sua imagem de marca) mais fashion do mercado. Professora de Português e Inglês. Adorada pelos alunos.

Ela conheceu-me desde sempre. Viu-me durante anos, crescer, saltar e correr por baixo de mesas, sala de professores e corredores fora, brincando com filhos de outros professores. Eu, conheci-a quando tinha 9 anos, e ao entrar na sala no dia de apresentações me tratou imediatamente pelo diminutivo restrito à família. Sorriu e perguntou-me se me lembrava, se a conhecia. Eu sorri de volta e com alguma superioridade disse-lhe que devia ser a quinta pessoa que me perguntava aquilo naquele dia.

É indescritível como ela, que me deu aulas apenas nesse ano, me marcou enquanto professora, enquanto mulher, enquanto mãe, enquanto ser humano. Segui todo o básico e liceu sem lhe perdoar (injustamente, que já deixei de ser adolescente há uns anos) o facto de não ter dado continuidade à minha turma e ter seguido com os “nojentinhos” da turma C por mais um ano. Ela, sempre me abraçou e disse que não teve escolha. Porque nunca acreditei e nunca lhe deixei de lembrar a cada vez que falávamos… tirou cópia do processo para me mostrar que a minha memória me trai desde esse ano. Nesse ano de que falo, seguiu para a formação, na expectativa de poder manter uma turma à escolha. A minha. A nossa. Embora me custe admitir não creio que lhe seja alheio o facto de ter ponderado durante anos “ser professora de inglês quando fosse grande”.

No outro dia quando a encontrei, falamos sobre tudo isso, novamente. Ela sabe por alto, e jamais pela minha boca, que no ano em que nos “abandonou” eu me tornei completamente objecta ao inglês. Continuava a falar um inglês correcto e evoluidíssimo para a idade, mas usava-o para dizer à nova professora que não me chateasse o juízo e me deixasse estar no meu canto. Esta provavelmente e com razão achava que eu era completamente idiota e tratava-me nessa base. E quase virei, ou virei mesmo, por algum tempo aluna de 3 ou de 2.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

I will use Google before asking dumb questions

Ontem liguei a uma ex-aluna minha, que mais dia menos dia está na faculdade, a desejar um feliz aniversário. É uma sagitariana linda, por dentro, por fora. Um verdadeiro pirilampo. Diz ela que tem saudades minhas... Não faz ela, ideia as saudades que tenho daquele ano, daquela escola, daquele verde e daqueles miúdos quase da minha idade.

Eu perguntei-lhe pelo namorado de sempre, o meu melhor aluno até hoje, e fiquei a saber que virou ex. Ups. Ela perguntou-me por uma das minhas melhores amigas, ex-professora dela também, ficou a saber que virou também ex. E por uns minutos ficamos quites nas perguntas candidatas ao prémio cada tiro, cada melro. Até que...

"Então e quando volta para cá, para a escola, para nós?" Sorri e expliquei que aquela pergunta tinha sido ainda mais parva que as outras. "Assim que o destino me deixar vou a correr. E se puder chego um dia antes. Já não devo chegar a tempo de ti. Só espero chegar a tempo de mim."


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Alunos, vegetais e outras coisas que tais

OS meus alunos são tão bons, mas tão bons, que hoje (andebol) marquei um golo de baliza a baliza (40 metros).

- UAU! oh stora é mesmo boa.
- Pois. E vocês mesmo nabos. Nabiças A 2 - 4 Nabiças B. Vamos, bola ao meio.

PS: e para que não existam dúvidas, aqui fica uma foto de alguns dos meus alunos hoje na aula.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ana? falta. Eva? falta. Gil? falta. H1N1? presente!

13alunos
- Oh professora o C. e eu tivemos febre de manhã...
- NINGUÉM VOS DISSE QUE DEVIAM ESTAR EM CASA?
- Oh professora mas eu estive em casa 5ª, 6ª, sábado e domingo!
- Com jeito ficas lá amanhã outra vez. Mas claro, tinhas de vir hoje, não seria 2ª feira se não me viesses chatear o juízo. Arf...


Mas ninguém sabe pôr os Magalhães e os e-escola a fazer de babysiter das criancinhas?! Experimentem lá instalar o PES para os Meninos e Mahjong para as Meninas a ver se inda querem sair de casa para vir à educação física... Eu percebo que os papás tenham que trabalhar. Tb eu tenho muito para fazer além de andar com o termómetro atrás ou a gripe no corpo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

All Star é que não...

eles: Oh stora....
eu, desconfiada: hmmm?
eles: Anda sempre com ténis diferentes! Quantos pares tem!?
eu, após várias contas de cabeça: Querem por cores, marca ou total?

domingo, 18 de outubro de 2009

y' + P (x) y = Q(x)y^n

Existem três palavras-chave nas minhas aulas. Respeito. Vontade. Diversão. E a soma das primeiras conduz invariavelmente à terceira, como uma equação em que R + V = D. Mas ao contrário de outros anos e locais, tenho passado estas semanas de aulas a dar educação... que é coisa que já não se traz de casa. E quando se traz deixa-se à porta da escola para não dar a ideia de serem o elo mai fraco.

Como não sou fã da Paula Bobone (credo) nem de mãe, tia ou madrinha de mais de 100 criancinhas, gastar tempo com sermõeszinhos sobre princípios e como ser aluno, colega, amigo e sobretudo gente, têm sido para mim semanas de frustração. (Se há coisa que qualquer sagitário odeia é repetir-se e se há coisa que me tira o humor é ter de ser insistente e auto-rotular-me de chata.) Mas existem aspectos, princípios e atitudes indispensáveis, nas minhas aulas, e por isso, de lado, tem ficando o tempo útil de aula…

Mas aquilo que incomoda qualquer professor de educação física (os bons pelo menos), não é o Respeito e sim a Vontade. O respeito instruísse, a vontade não. Continuo a achar extraordinário a forma como alguns alunos, sobretudo as miúdas olham para as bolas e para os campos de aula como se fossem OVNI’s e ET’s. Coisas estranhas, incompreensíveis e assustadoras.

Como se aquela coisa redonda, hairless e colorida, que é uma bola, fosse a qualquer instante abrir uma bocarra escondida e arrancar a mão e membro a quem a planeava agarrar. Como se um campo de andebol, voleibol, ténis ou outros, fossem dignos de serem labirintos de minotauros ou cavernas taliban. E como se as regras dos jogos fossem equações matemáticas dignas de Nobel.

Está-lhes estampado no olhar, e não leva muito tempo a um professor de educação física para elaborar a lista dos miúdos que, anseiam pelos minutos onde se escondem atrás de uma garrafa de água que se finge beber, de um atacador que se finge apertar ou na visita prolongada ao balneário e WC para fazerem o mínimo possível na aula.

Em parte tenho pena de ver em aula miúdos com o pânico estampado no olhar e desconforto no corpo. Um estado de vigília e terror como se de tortura se tratasse. Mas do outro lado estou eu. Enquanto aluna sempre foi uma frustração ter de fazer equipa com esses miúdos que tinham ali o ultimo sitio do mundo onde queriam estar, quando virei professora, pior.

Por saber isto, faço tudo menos aulas e exercicios convencionais. Tenho na diversão o produto e no ensino o meio, e não o contrario. Explico e exemplifico em 300 línguas diferentes…. E ainda assim correm para o lado oposto. Fogem das bolas e de tudo o que seja acção, ou na língua deles confusão. Jogam tudo com as mãos e quando os jogo são com mãos decidem-se pelos pés. Gritam Ui’s e Ai’s sempre que tocam ou algo lhes toca. Chegam ao fim de qualquer jogo sem saber quem ganhou, perdeu ou porquê. Chegam ao fim de qualquer jogo contentes porque terminou.

Nunca vi qualquer destes miúdos a sorrir antes ou durante a aula. Posso cair eu e a estrela da turma, estatelados no chão da forma mais parva. Eu e outros vamos rir, outros vão sorrir… mas aqueles 2, 3 vão permanecer apáticos. Sem perceber que, na educação física, tal como em português, inglês e matemática: A soma de dois e dois é igual a quatro, e quem não percebe isso… não fica gordo, mas é nabo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

As aulas....

1: O Leite

Sexta-feira uma aluna ficou sem um dente no inicio da aula. Hoje foi outra.

- WTF! Mas como é que isso aconteceu?
- Arranquei-o.!

E foi assim que me responderam as duas... Está bonito está. É só cálcio e juizo esta-se mesmo a ver. Qualquer dia aparecem-me os pais a perguntar o que ando a fazer às criancinhas, ou isso ou a fada dos dentes.


2: A Coca-cola

Peço e aviso para levarem sempre garrafas de àgua para as aulas. Primeiro ninguém me chateia o juizo a perguntar se podem beber àgua, bebem e pousam no banco de novo. Segundo não me desaparece metade da turma durante meia-hora para ir beber àgua à casa de banho e fazer sei lá o que mais nos 28 minutos que demoram mais.

- Ó MJ o que raio estás tu a fazer na minha aula com uma garrafa de coca-cola de 1lt?
- A professora diz sempre para trazer garrafa de água.
- É pá, a única parte certa nessa equação é a garrafa, percebes isso?!
- Mas a minha mãe diz que esta não faz mal porque é light!!!

Nota: Caem dentes, pois caem. São obesos, pois são. Mas desde que seja light.... E eu que carregue com eles, quando têm 70km e 1,50m e não conseguem levantar uma perna no ar quanto mais fazer o pino.

Já que andamos numa de Rankings na escola: Ranking dos piores

Com um mês de aulas o H, levava um belo avanço sobre os meus outros alunos, na corrida pelo título de pior aluno do ano. E apresentava já credenciais para concorrer ao TOP10 de pior de sempre. Escrevi no passado porque... soube hoje pelos miúdos que, no final de uma aula por um qualquer motivo, agarrou a cara e pescoço de um colega e atirou-o de cabeça contra a parede. Resultado o colega, que também é meu aluno foi inconsciente para o Hospital e o H, pelos vistos expulso da escola.

Não nego o meu alívio e até felicidade por não ter aturado o H, na aula hoje. Mas não creio que o H, seja expulso da escola… não enquanto reinarem estas novas e maravilhosas regras e estatutos que transformaram expulsar ou chumbar um aluno em mitos urbanos (conseguem perceber a ironia enojada com que escrevo isto, certo?).

As fontes não oficiais dizem que vai ser expulso ou transferido pelos pais para um colégio de freiras aqui na área. As oficiais ainda não disseram nada…. Estou à espera, para festejar ou para perceber se vou ter de dar aulas de capacete. Não para mim, que tenho cabeça dura, nem para o colega que como está internado não deve fazer aulas tão cedo. Mas para os 23 colegas… não vá ele agredir e desta ver matar algum.

ps: Também não era mal pensado, enquanto o H, não é expulso, convidar a Maitê Proença a assistir a uma aula minha com o H, presente. Se não sabem do que é que eu estou a falar... é clicar aqui. Tenho a certeza que o H, seria carinhoso e se não fosse, não se perdia nada.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

To be or not to be?

Houve um tempo em que numa ex-escola uma brincadeira se tornou regra. Se alguém me perguntasse se estava boa, haveria sempre alguém no pavilhão, no bar ou na outra ponta da escola que berrava "a S'tora não está boa, ela é, boa!". Fizesse eu boa ou má cara naquele dia. E enquanto virava costas agradecida por terem respondido por mim àquela pergunta da lista das idiotas, deixava sair um sorriso. Mas hoje, foi assim.

- Oh... a minha professora. Então, está boa?
- Olha o meu ex-ex-aluno favorito, por ser ex! Eu SOU boa. Mas isso tu já sabes. E contigo, tudo bem?
- Lá isso é verdade... Pena é ser mais velha....
- Não para quem quero meu amor. (justo. Pus-me a jeito para levar com esta. )
- Então já namora?
- Não percebi esse "já". (não percebi foi a lata e o que tens tu a ver com isso, mas vamos lá ver se percebeste o toque).
- Se tem namorado.
- Que raio, não vos ensinei a não serem preconceituosos? Não podia ser namorada? ou andar com nenhum ou vinte como vocês? Digamos que estou bem resolvida. (tens muito a ver com isso, ora bolas...)
- Como assim?
- Não sabes o que é estar bem resolvido? É estar bem. Ser feliz com ou sem alguém não é irrelevante, mas é secundário.

Note to self: Da próxima vez que me perguntem se estou boa. Estou óptima. Porra.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O que comprei eu afinal por 1500€ na FNAC

Belo dia de sol, neste primeiro de Outono. Acordei extremamente bem-disposta. Abri sorriso, vesti umas calças amarelo canário de fazer parar transito, sapatilha, camisola e casaco pretos e lá fui eu dar aulas.

O amarelo das minhas calças até pode parar trânsito, mas não evitou o desastre de aula do último tempo. Noventa minutos de má educação, indisciplina, desmotivação… Uma turma de índios. Daqueles que trepam cadeiras, mesas, paredes, tudo. Daqueles que falam, falam, falam, falam, e só se calam para ganhar fôlego. Daqueles que não gostam de educação física não tanto pelo físico mas pela educação. Daqueles em que a informação não entra por uma orelha e sai pela outra, simplesmente não entra. Daqueles em que os engraçadinhos se atropelam para fazer e dizer asneirada.

Tinha começado o dia de sorriso aberto. Bem-disposta. Acabei essa aula a mandar dois berros com um timbre de que nem tenho recordação de o ter utilizado algum dia. Fuzilei-os a todos e a cada um com o olhar. E terminei dizendo que se há coisa que detesto é ser chata, é ser má. Mas como sou excelente em tudo o que faço também consigo ser excelente a ser megera. Just try me, once more.

Escusado será dizer que correu lindamente o resto da aula e que a próxima será mais do mesmo. Para quem tinha curiosidade de saber o que comprei eu afinal por 1500€ na FNAC, foram 2tl de paciência a granel. Ali entre a secção da educação, saúde e espiritualidade.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Regresso às aulas: contagem decrescente

Quem diria que enquanto espero pela bolsa de Doutoramento… vou dar aulas na mesma escola e ainda levo, de brinde, melhor horário e duas das turmas do ano passado (as duas piores claro, que a sorte não está para mãos largas). Mas o que interessa mesmo a este post, é o início de uma contagem decrescente. Contagem decrescente para o quê? Ora, tendo em conta que em cada entrada do pavilhão existem, na parede, depósitos de desinfectante de mãos, quero ver quanto tempo demoram os putos a:

a) Fazer daquilo gel capilar.

- Ó proxora, ó pra eu todo faxón!
- Sim, ó pra tu tudo faxón! Pareces um ET. Dos maus...

b) Fazer daquilo gel capilar do COLEGA, sem permissão claro.

- O professora o xyxyxyxI, pôs-me gel no cabelo!!!
- Hmmm, pois foi. Deixa lá, estava a ser amigo, devia achar que tinhas piolhos. Não tens pois não?

c) Enfiarem a boca debaixo e comerem.

- Ó ‘stora sabe a chiclett!
- Deve saber, deve. Mas olha, depois diz-me também, a que sabe o tubo de lavagem gástrica que te vão enfiar garganta abaixo... ou rabinho acima.

domingo, 5 de julho de 2009

As ultimas palavras à turma de H.

Com o relógio a contar os últimos minutos sentei-me com eles, e deixei surgir o silêncio. Não surgiu. É neste instante que H se levanta, olha para mim e sorri. Antes que pudesse sorrir de volta, H abre os braços e roda gritando, CALEMMMMMMMMMMMMMM-SE, não vêem que a professora quer falar?! H é o meu melhor aluno de sempre. E um dia hei-de explicar aqui o porquê.


Calam-se. H sorri de novo para mim e senta-se. Tiro então do pulso o relógio e viro para eles os brilhantes da Swatch que tão bem conhecem por terem marcado tantos tempos de velocidade, barreiras e minutos de futebol que perderam por se portarem menos-bem.



Meus amores, porque hoje é, – engulo em seco – foi, a última aula, quero fazer com vocês uma coisa nova. É algo a que não estão habituados e para isso preciso de 90 segundos do vosso tempo, do vosso silêncio. Assim que terminarem estes noventa segundos – pouso o relógio no chão – já não serei mais vossa professora. E isso só traz vantagens para toda gente. Eu não terei que aturar mais as birras do N, as queixas da C, o B a pedir para jogar futebol de 30 em 30 segundos. Não terei de ler mais livros de psicologia sobre como convencer a P para a fazer os exercicios ou a fazer alguma coisa que não seja ficar sentada… Deixarei de esgotar a minha paciência semanal em apenas 90 minutos não é R? E finalmente vou deixar de por o F de castigo!


Vocês deixarão de ter que fazer flexões e abdominais por cada segundo se atrasem além dos Um, dois, três, quaaaaatro… cinco segundos depois de ouvirem o apito. Sobretudo... vocês deixarão de levar com os sermões, secas e explicações sobre como se comportar, como falar e como agir enquanto alunos, meus alunos, rapazes, raparigas, colegas e… amigos que são.


É por isto que estes 90 segundos são especiais, porque são só sobre coisas boas. Porque servem para dar os parabéns. A todos. Porque permitem que vos olhe a todos nos olhos, e sorria a cada um. Todos vocês são especiais. A todos e cada um de vós, desejo as maiores felicidades para o ano, para a nova escola. Não se esqueçam que são colegas, tomem conta uns dos outros e… façam novos amigos. Porque é isso que eu e vocês seremos no final dos noventa segundos. Amigos.


Para terminar, quero apenas dizer que não aceito reclamações vossas. Durante este ano, ouvi muitas, ouvi todas, apesar de ter fingido e tentado ignorar algumas. Tal como vocês às minhas! Porque sim B, eu sei que preferias passar estes 90 segundos a jogar futebol! Hehehe. E não aceito reclamações porque quero terminar dizendo isto: Não espero que tenham aprendido algo comigo, porque sou vossa professora, sei que aprenderam. Tal como eu com vocês. Espero sim, que tenham gostado das aulas. E que se tenham divertido comigo tanto como eu me diverti convosco.


Eu não gostei, diz o G, e eu também não, diz o H,o tal meu melhor aluno de sempre. Os meus olhos abriram-se incrédulos e o meu coração parou por um segundo. O mundo entrou em pausa enquanto tentava perceber naquele 1 segundo o que tinha corrido mal. Enquanto me esforçava por tentar voltar a respirar… eu sabia que aquela conversa tinha sido uma má ideia, eu sabia, eu sabia… ouço os outros dizerem, nós também não gostamos. E com este choque o coração voltou a bater, o ar voltou a entrar e com toda a calma do mundo ia dizer-lhes que tinha avisado que não aceitava reclamações.

Antes de poder começar a frase oiço em coro, nós não gostamos, nós ADORAAAMOSSSS!!! Senti o vermelho-pimentão a alastrar pelo rosto. Para esconder a cara apanhei o relógio do chão e lentamente apertei-o no pulso. Volto a olha-los, pela ultima vez. Viro costas e vou apanhar o meu saco… na esperança de poder esconder a cara vermelha no teclado de um qualquer dos telemóveis enquanto deixo no ar a ultima frase.


Pois, pois seus graxistas! Mas as notas estão dadas e os 90 terminaram à cinco segundos atrás. Boas férias. Vemo-nos na praia.


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sed’TORA

Hoje por muitas razões, tenho o coração pequenino. E aperta a saudade dos meus alunos.


Os deste ano despediram-se de mim com um ramo lindíssimo. As rosas mais bonitas que alguma vez recebi, que alguma vez vi. Eu despedi-me deles não pondo os pés na sala dos professores… Sentei-me no corredor em cima de uma mesa até terminar de assinar todas as camisolas de finalistas que me colocaram na frente. “Cara Peste, desejo-te sucesso e muitos sorrisos. Beijinhos, F.”


Professora, perguntam os finalistas, para o ano vai para a nossa nova escola? Sorrio. Não meus queridos, não vou. E se lhe pedirmos muito? Sorrio também com os olhos desta vez. Obrigada pelo convite, mas não é assim que as coisas funcionam, depois, acho que já é tempo de arranjar outro alguém para vos aturar. E claro, alunos de jeito para mim. Ou pelo menos não tão chatos. Riem eles.

Correm para mim os miúdos fantásticos de outra turma. Professora, professora, para o ano somos finalistas. Sim meu amor, eu sei, parabéns. Professora, passamos todos!!! Sorrio. Então muitos parabéns, a todos. Professora, já passou na nossa sala? Deixamos lá uma mensagem para si, gostamos muito de si. De sorriso aberto respondo, Obrigada.


Sed’TORA, já passou à sala 7? Deixamos lá mensagem para si no quadro. Não, N. ainda não passei, o G. já me disse, passo lá antes de me ir embora. O N.? Não é na sala 9, é na sala 7 nós também deixamos. Ok, N. passo lá daqui a pouco, beijo.


Não passei, à nove, à sete, à sala dos professores ou a outra sala qualquer. Sob o olhar das funcionárias e do restante grupo de educação fisica, fui raptada pelos 7 miúdos mais giros da escola para ir jogar voleibol e fui.


quarta-feira, 27 de maio de 2009

a T,i.

Hoje é o aniversário de uma ex-aluna minha. Não é uma ex-aluna qualquer, é aquela que lidera, ainda hoje, o ranking de “A mais destrambelhada de neuroine e afins”.

A propósito dos afins, T. conseguia ser destrambelhada em todas as matérias... TODAS.  Desse eu o que desse e nesse ano ensinei desportos de combate. Enquanto o meu neurónio batia no tapete num desesperante “Alguém que me tire deste filme.” T. passeava-se pela aula nos seus gritozinhos Ai e gritozões YAAAAA enquanto não mexia nenhuma parte do corpo como o pedido. No seu corpo magro, esguio T era nas minhas aulas uma marioneta desconjuntada e de fios quebrados. 


T. passou meses a pedir com a sua voz nasalada “Futebol, futebol, queremos  futebol”. No dia da primeira de 12 aulas futebol, T. estava farta ao fim de 20 minutos… Eu tinha juntado a uma marioneta desconjuntada 8 rapazes que corriam pelo campo como potros selvagens! Pior que isso, tinha juntado um objecto vivo, com personalidade e redondo: a bola. 

A única maneira de convencer T. a mexer-se durante as suas tão aguardadas aulas de futebol  foi prolongar as minhas enxaquecas e deixa-la vibrar  nos seus gritozinhos Ai e gritozões YAAAAA a cada vez que defendia uma bola! Cada vez que o remate ia fora,  o remate era interceptado, a bola saía pela lateral, a bola passava o meio-campo, a bola ia para a bancada, alguém entrava no pavilhão, alguém tinha uma camisola rosa, alguém… enfim! T gritava por tudo. T gritava por nada!


Pior que os gritinhos de T eram as suas perguntas parvas. T foi capaz de algumas perguntas e respostas mais absurdas e hilariantes que ouvi em toda a minha vida… Se perguntasse a T qual o nome de determinada linha do campo era possível e pior, provável que me respondesse linha branca ou linha preta e fazia-o sem o menor sentido de gozo (e esforço). A alguns destes momentos respondi pacientemente, outros ignorei enquanto revirava os olhos ou virava costas. Houveram ainda aqueles dignos de linha branca ou preta ou redonda que desmontaram todo o meu ar sério e mau e me deixaram lágrimas de tantas gargalhadas (minhas e da turma),  enquanto pedia a alguém que falasse a sua língua o favor de lhe pedir para descer à terra. 


T tinha tudo aquilo que eu não gostava nos alunos, vontade para trabalhar equivalente a ZERO, perguntas absurdas e despropositadas, atenção na lua, nível de desempenho motor médio-fraco e era ainda incapaz de compreender ironia. T. gostava de mim. E eu nunca percebi o porquê.


Na minha última aula coma turma de T. levei um Mars para cada um deles e expliquei a todos o quão e porque eram importantes. Dei a cada um deles a folha que, numa fase em que estavam parvos de todo, os obriguei a escrever uma qualidade sobre o colega que tinha o nome na folha e percorrer todas as folhas menos a sua. Queriam que continuasse na escola, que continuasse professora deles, para sempre! T liderava os manifestos. Enternecida prontamente respondi, para sempre?! Credo, vocês também não são assim tão burros! Bem.. não todos pelo menos. Sorri. Acedi aos últimos pedidos, dei o meu e-mail e deixei-os fazer as perguntas pessoais que tanto desejavam. Quando chegou a vez da pergunta de T. tinha o Tico e o Teco em alerta máximo a tentar antecipar o que viria dali. T. disse o quanto gostava de mim, o quanto eu a tinha ajudado, o quanto queria que eu ficasse na escola e finalmente perguntou qual era o meu numero. T. gostava de mim. E eu nunca percebi o porquê. Sorri e deixei  responder a pessoa que estranhamente ela gostava, 39/40 T, é esse o meu número, boas férias a todos e… T, juízo! Sorri. Virei costas e caminhei até à sala dos professores sem falar com ninguém, enquanto os miudos explicavam a T que claramente não ia dar o meu telemovél e o 39/40 era o numero das minhas sapatilhas. 


T. não tinha nada do que me apaixona nos alunos, tinha tudo aquilo que me irrita. Eu gostava de T. e não sabia o porquê. T fez aquilo que era suposto ser eu a fazer, conquistou-me.  Hoje agradeço-lhe. (pelo tanto que me deu, dá e ensinou.)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Os indios

Gosto de ser professora dos "grandes"... dá-me gozo que estão errados cada vez que pensam que não há nada NOVO que lhes possamos ensinar. Adoro o desafio que é o jogo deles... Sei joga-lo e faço-o com um sorriso no rosto.

Chego cedo e divirto.me com os alunos que chegam mais cedo. Saio tarde e sento.me, se me pedem, com eles na conversa a ouvir as suas estórias e problemas, tantas vezes parecidas com as minhas (do passado, do presente).

Mas... Não gosto de dar aulas ao 1º ciclo, da mesma forma que não gosto de dar aulas de ginásio. Olho sempre para os miudos destas idades como pessoas pequeninas a conquistar, mas que a qualquer momento se podem transformar num bando de indios.

Tive uma professora na universidade que dizia que um dia, quando estivessemos do outro lado, viveriamos a seguinte verdade, "Os alunos estão lá apenas para tornar dificil a tarefa do professor. O que são nesse instante alunos, rapidamente se transforma num bando de indios correndo por e para todo o lado".

Nunca percebi muito isto.. achava (logicamente) que sem alunos não haveria qualquer sentido em aulas. Hoje percebo... dar aulas ao 1º ciclo é para mim trabalho e não gozo... e há nanosegundos em que a ideia de dar aulas sem alunos não me parece tão má como isso.

Bem, amanhã há mais um dia com indios... mas de diferente tribo. Esperar que eles se divirtam o mesmo, e que eu, pelo menos, um bocadinho.